Polo moveleiro vai pressionar por obras em aeroporto
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segunda-feira, 01 de abril de 2013
Lúcio Flávio Moura<br>Reportagem Local 
Arapongas O Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas (Sima) deve enviar ofício hoje pedindo explicações à Prefeitura sobre o segundo fechamento do Aeroporto Alberto Bertelli em menos de 10 meses. De acordo com o presidente da entidade, a interdição "é horrível" para a economia da cidade. "Arapongas não pode ficar sem aeroporto de jeito nenhum. É uma estrutura muito importante para manter a dinâmica dos negócios do setor moveleiro e dos demais", afirmou.
De acordo com a assessoria de comunicação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o terminal de Arapongas está interditado desde junho por "não conformidades na pista de pouso e decolagem". A nota de esclarecimento da agência informa que a "interdição permanecerá até que o operador aeroportuária comprove junto à Anac a correção das não conformidades apontadas no Relatório de Inspeção". A nota não esclareceu qual é a natureza das não conformidades.
Porém, a notificação enviada à administração municipal esclarece que a vistoria feita no ano passado resultou numa interdição por falta de segurança do aeródromo, que é asfaltado, tem 1,2 mil metros de extensão e 23 de largura. No ano passado, a estrutura completou 30 anos de funcionamento.
A FOLHA apurou que a liberação da pista no período de 23 de fevereiro a 23 de março se deveu a uma falha técnica do site da agência, que publicou num dos campos de consulta voltados aos pilotos que a interdição havia sido revogada.
Curiosamente, o período coincidiu com a realização da Movelpar (Feira de Móveis do Paraná) - de 11 a 15 de março - evento que ocorre a cada dois anos, é considerado um dos principais do Norte do Estado e que atrai um grande número de visitantes de outros Estados e até de outros países. Os próprios empresários da cidade admitem que a feira poderia se inviabilizar sem o aeroporto. "Tivemos uma colher de chá para a feira", confessou o presidente do Sima.
A falta de segurança que provocou a interdição está relacionada ao padrão de cercamento do aeroporto. Os técnicos da agência entendem que a atual barreira, feita com arames, não impede invasão humana tampouco de animais que podem colocar em risco os pousos e as decolagens.
Outra deficiência seria a falta de uma força de segurança capaz de fazer patrulhas noturnas na área do entorno, à margem da rodovia PR-218, que liga Arapongas a Astorga.
Segundo interpretação de uma fonte que é usuário frequente da pista, o governo federal estaria temendo que aeródromos bem localizados e com pouca fiscalização no Paraná sejam usados como ponto de desembarque de drogas e contrabando. Em média, Arapongas registra de cinco a dez movimentos (pousos e decolagens) por dia. Pelo menos dez empresários locais mantém aviões particulares nos hangares que margeiam a pista.
De acordo com a Secretaria de Obras, Transporte e Desenvolvimento Urbano, o problema será resolvido com recursos próprios. Será colocado um alambrado em torno da pista e uma câmera que transmita imagens, inclusive noturnas, para a central de controle da Guarda Municipal.
O titular da pasta e vice-prefeito, Pedro Paula Bazana, estima que as obras irão consumir cerca de R$ 200 mil dos cofres municipais. "Vamos reverter esta decisão em 90 dias, no máximo", prometeu. Bazana garantiu que, além da câmera, uma equipe da guarda municipal estará presente todas as noites no local.
Para o instrutor de paraquedismo Luís Carlos Vieira, a decisão causou estranheza. "Sou professor há 22 anos, conheço muitos aeroportos e muitas pistas. Posso garantir que a situação de Arapongas é melhor do que muitos outros aeroportos paranaenses e de outras regiões do Brasil", afirmou ele, explicando que terá que transferir suas aulas para aeródromos do interior paulista.


