Rio de Janeiro, 10 (AE) - A concorrência dos produtos importados e a guerra fiscal deflagrada entre os Estados, que atingiram fortemente a indústria de São Paulo, retiraram do maior parque industrial do País empresas mais intensivas em mão-de-obra, mas não aquelas com maior capacidade de geração de riqueza.
O resultado é que o pólo paulista sofreu uma grande redução de postos de trabalho. Mas, do ponto de vista do valor adicionado, do volume de receita movimentado com a produção, permaneceu no mesmo nível da década anterior.
Estudo concluído pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) esta semana, referente ao ano de 1996, demonstra que, em setores industriais de vestuário, têxtil, vidro e madeira, caracterizados por grande mão-de-obra, houve migração das empresas paulistas para outros Estados.
Já nos chamados setores "difusores de tecnologia", de produção de máquinas e equipamentos, houve encolhimento dentro das empresas e até fechamento das mais fracas, mas não foi constatada ainda transferência para outras regiões.
A Pesquisa Industrial Anual (PIA), cuja série foi iniciada agora, com o levantamento de 96, ainda não é capaz de auferir com clareza o resultado da instalação de indústrias do complexo automotivo fora do eixo São Paulo-Minas Gerais.
"Este é um fenômeno mais recente, que deverá ficar mais evidente nos próximos levantamentos", diz Silvio Sales, chefe do Departamento de Indústria do IBGE. Os dados de 96 foram cruzados com os da pesquisa econômica feita em 1985, que não seguiu exatamente a mesma metodologia adotada agora.
A média de participação de São Paulo na produção industrial do País era, em 1996, de 49,5%. Em alguns setores, a concentração paulista era bem mais acentuada, mas em dois deles registrou queda, em relação à participação verificada em 85. O setor de máquinas e equipamentos, por exemplo, em 85 tinha 80% de sua produção concentrada no parque de São Paulo. Onze anos depois, a parcela havia baixado para 63,5%, uma queda de 16,5 pontos porcentuais.
Os setores intensivos em mão-de-obra do Estado perderam 4,8 pontos em relação ao resto do País, passando de uma participação de 54,4% na produção para 49,6%.
"O movimento de queda tanto no emprego quanto na produção foi contrabalançado pelo aprimoramento da tecnologia no parque paulista", diz a gerente do Departamento de Indústria do IBGE, Wasmália Bivar.
"As empresas reduziram mão-de-obra e se tornaram mais competitivas e houve um reação forte da indústria no processo de produção para enfrentar a concorrência internacional depois da abertura comercial", lembra ela.
A guerra fiscal, segundo ela, além de ser mais recente foi muito mais localizada. Não atingiu indistintamente todos os setores. "As empresas precisam de um ambiente econômico que nem sempre é favorável fora do Sudeste", diz, lembrando do aumento dos custos com transportes e das despesas para formação de infra-estrutura, muitas vezes necessária em outras localidades.
Uma exceção neste processo foi o fenômeno da agroindústria, que se instalou no Centro-Oeste e no Sul. "Mas, o que mais marcou os anos 90 não foi a migração industrial, e sim o processo de abertura e a exposição das empresas a uma competição maior.

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