Brasília, 25 (AE) - O Pólo Gás-Químico do Rio de Janeiro estará iniciando suas operações no início de 2002, processando o gás natural que é extraído da Bacia de Campos. O lançamento formal da construção da obra ocorreu hoje, com a assinatura dos protocolos de financiamento no Palácio do Planalto, na presença do presidente Fernando Henrique Cardoso e do governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho.
O Pólo irá demandar investimentos de US$ 893 milhões, dos quais 35% serão financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Outros 35% virão de linhas de crédito internacional e 30% de capital próprio dos grupos privados Suzano e Unipar. A Petrobras e a BNDESPar detém também um terço do projeto. A estatal firmou um contrato de fornecimento de gás por um período de 15 anos para o Pólo.
"O Rio de Janeiro está retomando sua condição de cidade maravilhosa, mas que também trabalha", disse o presidente Fernando Henrique Cardoso. Todo o projeto irá criar cerca de 5 mil empregos durante as obras e 10 mil a partir do funcionamento. Para o governo do Rio de Janeiro, a expectativa é que o complexo gás-químico possa anualmente gerar R$ 100 milhões em impostos. O complexo, que irá funcionar em uma área vizinha à Refinaria Duque de Caxias, vai produzir polietileno, etano e propeno a partir do gás.
"A implantação do Pólo permitirá ao Estado dar uso nobre a uma das suas principais riquezas, que é o gás natural", afirmou o governador Garotinho. O Rio de Janeiro é o maior produtor do insumo no País, com 70% da produção nacional. Cerca de 70% da demanda nacional de polietileno também está no Rio de Janeiro. Calcula-se que as unidades irão consumir 500 mil toneladas de gás natural da Bacia de Campos.
O uso do gás natural para produção de polietilenos poderá representar a redução de custos para manufatura de vários produtos, como embalagens, sacos plásticos, tampas, utensílios domésticos e até resinas de filmes. "Os efeitos benéficos do pólo poderão ser sentidos pelas encomendas de indústrias de São Paulo, Minas Gerais e do Espírito Santo", afirmou o governador Garotinho. A nafta também é utilizada nesta produção, mas a produção brasileira é limitada. A nafta importada é 25% mais cara que o gás produzido no Rio de Janeiro.

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