Políticos são presos por crime ambiental
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terça-feira, 02 de junho de 2009
Diego Ribeiro<BR> Equipe da Folha 
Curitiba - Seis pessoas foram presas, ontem, acusados de crime ambiental, entre elas o prefeito de General Carneiro, Ivanor Dacheri (PSB), o presidente da Câmara de Vereadores, José Cláudio Barbieri (PSB), e o vice-prefeito de Coronel Domingos Soares, Volnei Barbieri (PSDB).
Outras três pessoas, proprietárias de uma empresa, foram detidas em São Paulo. A Polícia Federal (PF) procura o prefeito de Bituruna, Remi Ranssolin (PTB). Todos são acusados de desmatamento ilegal para venda de madeira na região Centro-Sul do Estado e devem cumprir cinco dias de prisão temporária. A PF ainda interditou 16 empresas suspeitas. Uma das empresas lacradas é da família do deputado federal Luciano Pizzatto (DEM).
A ação que desencadeou a prisão faz parte da Operação Angusti-folia, deflagrada no dia 25 de maio. Segundo o delegado da unidade de combate a crimes ambientais da PF, Rubens Lopes da Silva, os proprietários dessas empresas deixaram apenas 0,8% da área de mata nativa na região.
Para o superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), José Álvaro Carneiro, de cerca de 7 milhões de hectares que existia há cem anos restaram apenas aproximadamente 70 mil hectares de mata nativa.
Silva e Carneiro acusam as mesmas famílias citadas nessa operação de estarem cometendo o desmate há um século. Diante de tanto tempo de desmate, o secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, acedita que não há punição administrativa que os faça parar. Em dez anos foram aplicadas R$ 1 bilhão em multas pela fiscalização do Ibama e do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), o que reforça a importância da atividade policial, ressalta, lembrando que as sansões administrativas não têm resultado. No ano passado foram aplicados R$ 25 milhões em multas e, apenas durante a Operação Angusti-folia, passaram dos R$ 4 milhões.
As prisões foram decretadas pelo desembargador, Amaury Chaves de Athayde, do Tribunal Regional Federal da 4ªRegião.
De acordo com a PF, os suspeitos utilizavam uma gráfica para produzir notas fiscais falsas, com o objetivo de enganar fiscais nas estradas, enquanto carregavam madeira cortada ilegalmente.
A defesa dos prefeitos Ivanor Dacheri e de Volnei Barbeiri preferiu não se pronunciar enquanto não tiver acesso a toda investigação. O deputado Pizzatto disse que a ação pode ser uma retaliação a uma investigação sobre supostas irregularidades no Ministério do Meio Ambiente que ele faz na Câmara Federal.


