Políticos salvam afilhados nos Estados Unidos
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domingo, 27 de junho de 1999
Por Renan Antunes de Oliveira 
Nova York, 28 (AE) - Não deu certo um plano sigiloso do Itamaraty, iniciado em abril, para demitir 25 funcionários contratados em Nova York, cortar-lhes ajuda de custo e reduzir salários acima de US$ 6 mil (R$ 10.800,00 ao câmbio de hoje) - o plano vazou e padrinhos políticos brasileiros salvaram a maioria.
A degola, anunciada no final de semana, teve só oito demitidos
todos da turma do salário mínimo local, US$ 2.500 (R$ 4.500 00).
Se efetivado, o plano teria enxugado o quadro de 61 funcionários do Consulado e do Secom (setor comercial do Itamaraty), representando economia de US$ 1 milhão e 100 mil anuais aos cofres públicos, cerca de R$ 2 milhões.
Como a lista da minilimpa saiu com oito - 11 se forem contados três forçados à aposentadoria - a economia será de apenas US$ 300 mil (R$ 540 mil). O número de demitidos foi bem menor do que o previsto porque, segundo diplomatas, vários políticos salvaram seus afilhados - entre eles o vice-presidente Marco Maciel, o senador José Sarney, o deputado Inocêncio de Oliveira e o governador do Sergipe, Albano Franco. Interesses corporativos mantiveram salários e benefícios, como o de 60% de ajuda de custo para aluguel.
A determinação da redução dos custos fora dada pelo ministro Luis Felipe Lampreia, em abril, ao embaixador Flávio Perry, cônsul-geral em Nova York. A degola foi tratada em vários telegramas "secretos e urgentíssimos" entre o Itamaraty e uma comissão integrada pelo embaixador e representantes dos funcionários.
Num deles, datado de 21 de maio, Perry manifestou sua preocupação com a mobilização interna dos funcionários, mas afirmou que "... deveríamos fazer uma lista... dos dispensáveis... ignorando (seus) apoios e ligações políticas".
Após vários telegramas, muita pressão de Brasília e reação do Consulado/Secom, os 25 foram reduzidos para nove. No momento final, o auxiliar administrativo Benedito Lima conseguiu escapar dessa lista, deixando-a nos oito.
Lima escapou porque provou à comissão interna sua condição atípica: emprestado pelo Itamaraty ao Secom nova-iorquino, em 1997, depois, pelo Secom ao comitê eleitoral de então candidata Roseana Sarney, no Maranhão, em 1998, acabou devolvido pelo comitê ao Consulado, em 1999, para uma vaga de um contratado. Logo, não é da turma contratada no exterior.
Segundo o diplomata Rodrigo Gabesh, lotado em Nova York, "os cortes possíveis forem feitos pelo Itamaraty para cumprir metas do ajuste fiscal do governo".
Entretanto, nem bem assentou a poeira das demissões, o embaixador Perry já estuda novas contratações. Ocorre que com a mudança da sede consular, e conforme correspondência com o Itamaraty, "...precisaríamos de quatro novos contratados com capacidade de realizar tarefas críticas e bem definidas no Consulado/Secom" - as duas repartições foram recentemente unificadas.


