São Paulo, 20 (AE) - Construir a estrutura de apoio político à transposição do Rio São Francisco deverá ser a principal dificuldade para deflagrá-la ainda neste ano. "No projeto apresentado pelo Ministério da Integração Nacional não existe nada de concreto para promover a revitalização do rio", disse o deputado federal Marcelo Déda (PT-SE), referindo-se à promessa do governo federal de recuperar o São Francisco, bastante atingido pela degradação ambiental. "Sou contra o projeto e a minha posição é a mesma da bancada dos atendidos pelo rio."
Segundo Déda, as barragens construídas para as usinas hidrelétricas vêm diminuindo a vazão do rio. A redução do volume das águas está facilitando a invasão do leito do rio, na sua foz
pelo mar, que chega a penetrar 50 quilômetros no continente, provocando sério impacto ambiental. "Não dá para discutir mais uma utilização do rio sem que ocorra a sua recuperação", diz o deputado sergipano.
"Não pretendemos criar obstáculos a nada que venha a beneficiar o Brasil, mas é preciso que esse projeto seja estudados a fundo antes de implementá-lo", disse o governador da Bahia, César Borges (PFL). Para ele, é necessário um programa que envolva o desassoreamento do São Francisco, a recomposição das matas ciliares em suas margens e a construção de barragens em rios afluentes, para aumentar o volume dágua. Borges quer, como "aproveitamento racional" do rio, a sua transformação em hidrovia.

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