Assunção, 23 (AE-REUTERS) - O Congresso, os partidos políticos e representantes da sociedade civil do Paraguai responsabilizaram hoje (23) o presidente Raúl Cubas pelo assassinato de seu vice Luis María Argaña.
Em um comunicado público, o Congresso culpou "deste crime político o presidente Raúl Cubas em cumplicidade com o golpista Lino Oviedo".
Em seu pronunciamento, os congressistas denunciaram que o assassinato "é parte de um plano terrorista do Poder Executivo... para (instaurar) um governo ditatorial".
O presidente do Congresso, Luis González Macchi, respondeu afirmativamente quando perguntado se este crime fora ordenado por Oviedo.
Imediatamente após o anúncio da morte de Argaña, os políticos que fazem oposição a Raúl Cubas passaram a exigir com veemência a renúncia do presidente paraguaio.
"Exigimos a renúncia imediata de Cubas", gritava na frente do Sanatório Americano, o hospital de Assunção onde jazia o corpo de Argaña, o senador argañista Juan Carlos Galaverna. "Ele (Cubas) e seu amigo criminoso Lino Oviedo são os responsáveis por esse atentado."
Inconformado, aos berros, Galaverna criticou também o governo brasileiro. "Enquanto Fernando Henrique Cardoso prepara uma condecoração para Cubas, aqui esse inútil filho da p... desgoverna e protege um bandido como Oviedo."
Ainda na frente do hospital, grupos compostos por centenas de populares seguidores de Argaña começaram a chegar aos gritos "Cubas, assassino!" Testemunhas relataram que um desses grupos entrou em choque com partidários de Oviedo nas vizinhanças do Palácio de López.
Em meio à instabilidade política, além de o Congresso ter se declarado em sessão permanente, organizações camponesas e sindicais convocaram uma greve geral de protesto contra Cubas. "Nossa posição é de parar totalmente o país por tempo indeterminado, até que esse presidente assassino se vá", declarou o líder da Central Unitária dos Trabalhadores, Alan Flores.
"A situação é perigosa e conflitiva", analisou o senador Francisco José de Vargas, do opositor Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA). "Cubas precisa abandonar o cargo e pedimos que ele renuncie nas próximas horas."

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