Políticos destacam importância de Figueiredo no processo de abertura política
Brasília, 24 (AE) - O vice-presidente Marco Maciel afirmou, hoje, que o presidente João Figueiredo "conduziu o processo iniciado pelo presidente Ernesto Geisel no sentido de promover a abertura política, permitindo ao País, reintegrar no estado de direito e viver a plenitude democrática". Segundo Maciel, "esta será a principal marca que, no momento de seu lamentável desaparecimento, ficará de sua passagem na vida pública". Durante o governo Figueiredo, Marco Maciel era governador de Pernambuco.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, deputado Nilmário Miranda (PT-MG), disse hoje que o ex-presidente João Figueiredo, apesar de ter feito um governo "contraditório", teve seus méritos ao continuar com o processo de abertura e da anistia. "Ele teve vontade, mas não teve ousadia para resolver casos como o do Riocentro, da bomba na OAB e na Tribuna Operária", afirmou Miranda. "Se ele fizesse isso, certamente seria lembrado pela história como um marco".
Justiça - Bastante abalado, o ex-chefe do Gabinete Militar e presidente do Conselho de Segurança Nacional do ex-presidente Figueiredo, general Danilo Venturini, afirmou hoje que guarda uma lembrança positiva de seu ex-chefe. "Era um homem voltado para a causa pública, jamais mediu esforços pelo bem do País", afirmou Venturini. Segundo ele, Figueiredo foi injustiçado. "A história ainda vai fazer justiça a ele". Venturini - que também foi ministro da Reforma Agrária no governo Figueiredo - teve um contato com a família do ex-presidente na semana passada. "Eles me disseram que ele estava compensado".
O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Alberto Cardoso lamentou a morte de Figueiredo e lembrou que "a grande característica do ex-presidente na política é que ele iniciou a transição dos governos de 64 para o regime democrático pleno". Segundo Cardoso, ele fez isso "com muita perseverança".
O ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, afirmou que Figueiredo teve um papel importante no processo de abertura democrática do País. "Embora ele fosse um homem de atitudes duras e pesadas, tinha um coração muito grande, era sensível e sempre esteve aberto à conciliação", disse Dornelles. "Nas conversas com o então candidato da oposição, Tancredo Neves, Figueiredo colocou como condições não haver retaliações".
O chefe da Casa Civil do Palácio do Planalto, Pedro Parente, garantiu que o governo está determinado a render todas as homenagens ao ex-presidente. Anistia - Líder do governo Figueiredo na Câmara, o atual deputado Nelson Marchezan (PSDB-RS), lembrou que a frase dita pelo ex-presidente que marcou o seu mandato foi "lugar de brasileiro é no Brasil". Era o slogan do projeto da anistia e também demonstrava, segundo o deputado, a capacidade da Nação de abrigar todos seus filhos. "A anistia foi mais ampla que o projeto das oposições", afirma Marchezan, lamentando a perda do ex-presidente que "deixou um legado muito importante ao País", disse. "Ele devolveu o poder às oposições".
Marchezan lembrou ainda que Figueiredo era muito espontâneo e por isso chegou a ser mal interpretado, como no episódio em que dissera: "prefiro cheiro de cavalo a do povo". O deputado comentou que ele havia acabado de sair de um comício, quando falou isso a um jornalista. "Mas esse homem que se emocionava ao visitar velhinhos abandonados e ficava duas ou três horas cumprimentando pessoas - esquecendo-se das dores lombares - só podia gostar do povo", observa. ACM - O presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse que o presidente Figueiredo destacou-se como oficial nas Forças Armadas o que lhe facilitou o acesso ao Palácio do Planalto. "Na Presidência, sobretudo no início, teve êxitos, mas no final, teve uma atuação conturbada que não lhe permitiu um fim de governo a altura de seus méritos", afirmou ACM. Para o senador, o regime militar não fica sepultado com a morte do ex-presidente, mas apenas os presidentes do regime milutar desapareceram.
"O regime militar teve em seus vários presidentes coisas importantes, bem como erros e, sobretudo, pelo oportunismo de alguns e falta de experiência de outros". ACM era governador da Bahia durante a gestão de Figueiredo.





