Foz do Iguaçu - Fatores políticos e técnicos cercam o aniversário de dois anos do fechamento da Estrada do Colono completados esta semana. O impasse, antes cercado de forte pressão popular, atualmente é travado em vias diplomáticas entre favoráveis e contrários ao caminho que corta o Parque Nacional do Iguaçu em 17,6 quilômetros, encurtando a distância entre Oeste e Sudoeste.
O ''atalho'' de Medianeira e Serranópolis (Oeste) à Capanema (Sudoeste) teve seu mais recente capítulo em 13 de maio de 2001, quando foi fechado por ordem do Tribunal Regional Federal, da 4 Região. O bloqueio resultou em protestos e até num atentado no ano passado, mas agora a estratégia de lideranças é usar sua ligação partidária com o governo federal.
As investidas partem de deputados federais Irineu Colombo e Assis Miguel do Couto, petistas com bases eleitorais em Medianeira e Francisco Beltrão. Engrossam o coro os prefeitos de Medianeira, Luiz Suzuke; de Serranópolis do Iguaçu, Nilvo Perlin (PT); o prefeito e vice-prefeito de Capanema, Valter José Steffen (PDT) e Carlos Carboni (PT).
Em abril e maio, eles participaram de três reuniões no Ministério do Meio Ambiente para pedir a reabertura da estrada. Em uma delas o pedido foi feito direto para a ministra Marina Silva (PT). O grupo planeja reunir-se com o chefe da Casa Civil, José Dirceu, para buscar uma ''decisão política'' junto ao ''governo Lula'', conta Sukuke.
Segundo o prefeito de Medianeira, o objetivo é ''trabalhar até o último momento para reabrir a estrada''. ''Queremos ser parceiros na preservação do parque, mas queremos um elo do Oeste ao Sudoeste, seja em forma de estrada histórica ou estrada turística'', afirmou Suzuke, que é presidente da Associação de Integração Comunitária pró-Estrada do Colono (Aipopec).
A via diplomática, no entanto, requer uma resposta, diz Suzuke, pois as manifestações populares podem retornar. Em maio, moradores e vereadores de Serranópolis do Iguaçu organizaram um movimento para ocuparam a estrada, hoje reflorestada e protegida por vigias e policiais florestais. O levante foi dispersado a pedido dos prefeitos e deputados. ''Paciência tem limite. Esperamos ter retorno no campo político'', completa Suzuke.
Já o deputado Assis Miguel do Couto destaca a necessidade de discutir uma alternativa para o Oeste e Sudoeste, seja em forma de estrada parque ou de turismo ecológico, priorizando a criação de um projeto de desenvolvimento sustentável, sobre a liberação do atalho para o tráfego em geral.
Cerca de 150 mil habitantes dos 12 municípios dependiam da estrada para o crescimento de suas economias em virtude do então fluxo ilegal e diário de 800 veículos. Destacam, ainda, a economia de 140 quilômetros em viagens do Oeste ao Sudoeste, bem como seu valor histórico.
Ambientalistas argumentam que o tráfego degrada a fauna e a flora. Hoje, o percurso está reflorestado com o plantio de mudas de árvores nativas, como ipê e ingá. Valetas ao longo do trajeto impedem a passagem de veículos, enquanto o portão de acesso, em Serranópolis, é controlado por vigias.

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