Políticas públicas para diminuir segregação
Londrina - Grande parte da população acredita que o problema da violência está atrelado à diminuição do contingente policial. Ana Lúcia Rodrigues, coordenadora do Núcleo Maringá do Observatório das Metrópoles da Universidade Estadual de Maringá (UEM), por outro lado, diz que as causas devem ser atacadas com a instalação de equipamentos sociais e urbanos.
''O aumento da ocupação urbana está relacionado diretamente à qualidade de vida. Mas o processo de favelização e de periferias acaba por isolar essa população de seus direitos básicos. Isso uma cria uma situação de vulnerabilidade que, muitas vezes, é suprimida pelo crime organizado'', afirma.
Segundo a pesquisadora, o crime organizado se apropria, justamente, pela ausência do Estado. ''O Estado é o único que tem legitimidade de exercer o poder de violência. Mas este não se tem feito presente aqui no Paraná e prova disso é o aumento da criminalidade e do poder paralelo'', acrescenta. Em função desta constatação, ela defende a necessidade de implantação de políticas públicas urbanas para atender a coletividade. ''Não iremos acabar com a violência apenas com repressão e punição. É preciso diminuir a segregação'', argumenta.
E é com o objetivo de discutir esse problema que será realizado, de 26 a 29 de abril, na UEM, o II Seminário ''Violência Urbana nas Áreas Metropolitanas Brasileiras''. A organização social do território e a criminalidade violenta são os temas centrais. Estará em debate a relação entre território e a incidência dos homicídios. Estudos apontam que, apesar da criminalidade urbana não se distribuir de forma homogênea por todo o território metropolitano, ela é responsável por um generalizado sentimento de insegurança.
Se por um lado, observa-se um descompasso temporal entre o crescimento das taxas de homicídios entre as diferentes regiões metropolitanas, observa-se também um tipo de organização e de incidência de violência muito semelhantes, o que corrobora a hipótese de um padrão metropolitano de violência urbana. O Seminário apresentará ainda o resultado de estudos nessas áreas realizados nas regiões metropolitanas brasileiras.(M.T.)





