O plenário da Câmara Municipal de Londrina ficou lotado, anteontem, durante a realização da 1ª Conferência LGBT de Londrina. O evento, realizado pela Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, teve adesão de oito entidades ligadas à população de lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e travestis. O tema principal das discussões foi "Por um Brasil que criminalize a violência contra Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais". A conferência é o primeiro passo para a criação do Conselho Municipal de Direitos LGBT na cidade. Hoje, ocorre na faculdade Inesul, a partir das 13 horas, a Plenária Regional dos Direitos LGBT, com participação de representantes de 20 municípios da região.
A principal reivindicação dos agentes da sociedade civil que participaram da Conferência é a criação, em Londrina, de um órgão gestor que trabalhe exclusivamente com esta população, como ocorre, por exemplo, com a secretaria destinada a garantir os direitos das mulheres.
Marisse Costa de Queiroz, assessora de políticas para mulheres da Secretaria, explicou que a discussão foi dividida em quatro eixos. O primeiro deles iria debater as políticas transversais com questões específicas da população LGBT. Em seguida, o debate focaria em educação, cultura e mídia, destacando a necessidade de ações que informem adequadamente sobre as demandas e a realidade deste público. O terceiro eixo teria foco no acesso à Justiça. Por fim, os participantes falariam sobre o enfrentamento à violência, que é uma questão muito presente na rotina LGBT.
"A homofobia é uma realidade no Brasil e também em Londrina", considera, citando o exemplo de lésbicas que continuam sofrendo o chamado "estupro corretivo", quando o criminoso força a relação sexual por não aceitarem que elas não querem se relacionar com homens, e as agressões e até homicídios contra travestis e transexuais que sequer são registrados no sistema, pois o atestado de óbito ainda é emitido com o nome masculino destas pessoas, descaraterizando o crime motivado por homofobia.
Ela comemorou as 150 inscrições na Conferência e a presença maciça de movimentos sociais na Câmara. "É uma população que tem anseio de ser reconhecida como sujeito de direitos", definiu.
Melissa Campus, presidente da Elitytrans Londrina, que representa a população de transexuais e travestis na conferência, foi uma das militantes mais empenhadas na organização do evento. "Fico contente que hoje eu possa representar apenas as transexuais e travestis, porque todos os outros grupos estão organizados", afirmou. Ela lembrou que um incêndio criminoso cometido na sede da Elitytrans, provocado por homofobia em 2012, foi o ponto de partida para a mobilização da entidade. "Considero que a Conferência é o resultado positivo de um situação que foi muito ruim", afirmou ela, lembrando que militantes mais jovens estão aderindo ao movimento e precisam de capacitação. "Não temos um espaço adequado e nem um órgão de referência. Essa é uma das maiores reivindicações", disse. Outra questão apontada por Melissa é a violência contra essa população que acaba invisibilizada por não ser reconhecida pela sociedade. "Hoje não temos políticas afirmativas, ficamos à mercê da boa vontade e do bom-senso de quem atende nos serviços públicos", criticou.
Clara Fraga, representante da Marcha Mundial de Mulheres e coletivo Kizomba, ligado à União Nacional de Estudantes (UNE), reforçou a necessidade de Londrina ter um órgão público que concentre as políticas LGBT. "Queremos que políticas públicas específicas sejam debatidas", pediu.
Bruno Rizardi, do coletivo Fruta Cor, formado por estudantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e que representa os "queers", definidos por ele como questionadores dos papéis de gênero e heteronormatividade, afirmou que a conferência é uma vitória porque indica o reconhecimento, por parte do poder público, das necessidades da população LGBT. "É uma iniciativa democrática", considerou.
A secretaria municipal da Mulher, Sônia Medeiros, destacou o apoio da Prefeitura de Londrina à causa. "Os grupos estão organizados e solicitam políticas específicas para as minorias, como também é o caso da igualdade racial, pessoas com deficiência e indígenas, além de mulheres e crianças e adolescentes."

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