RIO - O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) Gilmar Mauro, disse ontem que os efeitos da política econômica do governo na agricultura brasileira vão ser o principal assunto a ser tratado em audiência com o presidente Fernando Henrique Cardoso no dia 18, um dia depois do fim da Marcha Nacional pela Reforma Agrária. ‘‘Em dois anos de governo, perdemos 832 mil empregos no campo’’, disse Mauro, em debate no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no Largo São Francisco, centro da cidade.
‘‘É como se alguém colocasse como uma colher e tirasse como uma pᒒ, disse Mauro, integrante da Coordenação Nacional do MST, comparando o número com o de pessoas assentadas pelo governo, segundo o movimento - menos de 50 mil. Mauro afirmou que a política de juros altos para financiamentos e preços baixos para os produtos agrícolas, de forma a manter barata a cesta básica de alimentos, está ‘‘acabando’’ com a agricultura. ‘‘O setor perdeu em dois anos R$ 10 bilhões para o sistema financeiro’’, afirmou.
O líder sem-terra informou que o apoio à agricultura vai ser pedido por ele e outros quatro líderes da Coordenação Nacional do MST. Os líderes da marcha, que também irão ao encontro, vão tratar de reivindicações específicas: o assentamento de 50 mil famílias e o aumento do limite do financiamento para assentados, de R$ 7,5 mil para R$ 10 mil. ‘‘O presidente concordou com isso ainda no ano passado, mas até agora o Conselho Monetário Nacional (CMN) não aprovou a medida’’, criticou.

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