Rio, 29 (AE) - A harmonização da política macroeconômica em países da América Latina, especialmente entre os integrantes do Mercosul e o Chile, é fundamental para impedir um possível ataque especulativo às economias emergentes. Nas discussões da Cimeira, integrantes do bloco latino-americano aproveitaram para discutir avanços na busca de uma base econômica comum. "Um dia, o fluxo de financeiro é equivalente a três vezes todo o comércio mundial do mundo em um ano", exemplifica José Miguel Insulza, secretário-geral da Presidência do Chile.
"Se quiserem promover, amanhã, um ataque especulativo aos mercados do Brasil, do Chile, ou o que seja, não custa nada, por isso a importância da inclusão da cláusula de políticas macroeconômicas compartilhadas no documento da Cimeira", afirmou. Ex-ministro das Relações Exteriores do Chile, Insulza deixou o cargo na reforma ministerial há cerca de duas semanas, mas permanece com status de ministro e é um dos homens fortes no governo de Eduardo Frei.
O subsecretário-geral de Integração, Assuntos Econômicos e Comércio Exterior do Itamaraty, José Alfredo Graça Lima, reconhece que há instabilidade nas emergentes economias sul-americanas. "Ameaças de ataque existem sempre com moedas cuja âncora seja o dólar", comentou.
"A nuvem negra continuará no horizonte e embora a porta para a negociação conjunta tenha sido aberta, neste momento é difícil pensar num mecanismo específico de proteção."Um ataque especulativo em países latino-americanos desembocaria em crises semelhantes às que atingiram a partir de outubro de 1997 os países asiáticos e a Rússia. As recentes mudanças em economias sul-americanas, como a redução das taxas de juros no Chile, na semana passada, a mudança cambial na Colômbia esta semana, a adoção do câmbio flutuante no Paraguai, as indecisões na Argentina sobre a dolarização da moeda e as alterações econômicas no Brasil no início do ano, criaram uma atmosfera de incertezas com relação à situação na América do Sul.
Para o embaixador argentino no Brasil, Jorge Hugo Herrera, a América Latina não está no alvo de especuladores internacionais. "Não creio em ataque", resumiu. "Mas não há melhor maneira de evitá-los do que com políticas econômicas saudáveis." Pelo menos a base dessa política tem de ser acertada em bloco, na opinião de Insulza. "Uma política macroeconômica compartilhada é um mecanismo bastante eficiente para conter capital flutuante e fazer frente a possíveis ataques especulativos."
A Argentina é a única economia emergente na qual ainda não foi feita uma reforma cambial. O país, porém, prepara-se para uma eleição presidencial este ano, que poderá alterar sua linha econômica. "A Argentina será o último país a fazer mudanças econômicas", lembra Graça Lima. "Este problema de possibilidade de ataques às moedas latino-americanas tem sido objeto de discussão, mas é difícil uma solução comum."

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