Política econômica é criticada em fórum no Rio
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terça-feira, 18 de maio de 1999
Por Gustavo Alves e Denise Neumann 
Rio, 19 (AE) - A política econômica brasileira foi criticada por pessoas que participam ou participaram dos governos que a executaram, hoje, no 11º Fórum Nacional de Altos Estudos, no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O ministro da Ciência e Tecnologia, Luiz Carlos Bresser Pereira, criticou o nível de endividamento externo brasileiro, e o ex-ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, Rubens Ricúpero, atacou os investimentos estrangeiros.
"A dívida externa é a nossa grande vulnerabilidade", alertou Bresser Pereira. Ele disse ser contrário não só aos capitais voláteis, mas a toda forma de empréstimos internacionais. "O discurso do capital financeiro internacional é: não tenham déficit público, não se envididem, façam as reformas - e nisso estou de acordo - que nós financiamos o seu desenvolvimento", analisou Bresser. Para o mnistro, o discurso é "contraditório". Bresser defendeu o crescimento da poupança e do investimento internos para o retorno do desenvolvimento.
Ricúpero, atualmente é secretário-geral da Conferência para Comércio e Desenvolvimento das Nações Unidas (Unctad), criticou os investimentos diretos estrangeiros porque não incentivam as exportações e ainda pressionam os déficits em contas correntes, pelo aumento da emissão de divisas. Ele afirmou que as companhias transnacionais não pretendem tornar o Brasil uma base de exportações - e ainda podem fechar fábricas nos outros países do continente.
O embaixador também criticou o modelo de privatização brasileiro, que não optou por uma maior distribuição do controle acionário das estatais. "Em um País cuja principal falha é a concentração de recursos, a privatização podia ter sido usada para diminuir o índice de concentração", afirmou. Ricúpero também criticou o uso do Fundo de Apoio do Trabalhador (FAT) para financiar a compra das estatais e o fato de as companhias distribuidoras de energia terem sido vendidas antes da formação da agência reguladora do setor. "Foi culpa nossa", admitiu.
Defesa - A defesa da política econômica acabou por ser feita pelo presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira. Ele disse ter ficado "estarrecido" com a tese de Bresser. "Gostaríamos que ele nos dissesse de onde brotou esta idéia em sua cabeça", afirmou o presidente da Firjan, lamentando que o ministro tivesse deixado o fórum logo após dar palestra.
Gouvêa Vieira lembrou que os capitais externos são procurados pela falta de poupança interna do País, e os juros altos são consequência da instabilidade econômica brasileira. A estabilidade econômica também causará a redução do envio de dinheiro para o exterior pelas empresas estrangeiras, que começarão a exportar se tiverem incentivos, afirmou o presidente da Firjan. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer, ao comentar a discussão, afirmou apenas que "no mundo globalizado" não se pode dispensar o capital externo.


