Política de concessão de visto pode mudar nos EUA
Um juiz federal em Washington declarou ilegal a política do departamento de Estado de concessão de vistos de entrada nos Estados Unidos com base em perfis sócio-econômicos dos requerentes, usada nos consulados americanos no Brasil. Na mesma decisão, tomada no mês passado e revelada ontem pelo jornal The New York Times, o juiz Stanley Sporkin ordenou o departamento de Estado a considerar a recontratação e o pagamento dos salários atrasados do ex-diplomata americano Robert E. Olsen, de 53 anos, o ex-funcionário da seção de vistos do consulado dos EUA em São Paulo que iniciou a ação judicial depois de ser demitido, em dezembro de 1993 - segundo ele, por se recusar a seguir a diretriz oficial, que considera racista.
A administração Clinton defendeu o uso dos perfis e indicou que recorrerá da decisão. Nenhum requerente tem um visto recusado com base na sua etnia ou nacionalidade, disse Suzanne C. Nyland, uma advogada do departamento de Justiça que representa o departamento de Estado na ação. O departamento de Estado afirma que a razão da demissão de Olsen foi seu mau desempenho profissional e não sua alegada recusa de seguir à política oficial sobre concessão de vistos.
Entre os vários documentos que o ex-diplomata apresentou à Justiça para provar suas acusações, há cópias de um memorando instruindo às seções consulares tomar cuidado especial com pedidos de vistos de pessoas com sobrenomes chinês ou árabe e de um manual com instruções abreviadas a serem usadas no exame de cada solicitação. LP ou TP são uma clara indicação de que o visto deve ser recusado porque o requerente Looks Poor (tem aparência de pobre) ou Talk Poor (fala como pobre). Olsen, que é formado em direito pela Universidade de Havard e hoje pratica advocacia na área de Washington, diz que se recusou a usar esses critérios por uma questão de princípio. Achei que era uma discriminação grosseira contra os requerentes com base na cor de sua pele e do lugar de onde provinham.
Se for confirmada pelas instâncias superiores, a sentença de Sporkin tem implicações importantes pois o sistema de perfis sócio-econômicos na concessão de vistos é usado pelos consulados dos EUA em vários países.





