Curitiba- O Paraná é um dos estados brasileiros que ainda não implementou uma Política Estadual de Águas, com formação de comitês de gerenciamento de bacias hidrográficas. O assunto é debate nacional desde 1997, quando foi iniciado o processo de mudança cultural e de política de águas no Brasil. Até hoje, cerca de 100 comitês foram instalados e 20 conselhos estaduais de recursos hídricos, implementados. Agências de águas já funcionam em algumas bacias hidrográficas de São Paulo e da Paraíba. Cinco estados concluíram o Plano Estadual de Recursos Hídricos e outros cinco (incluindo o Paraná) estão elaborando o projeto.
Para o promotor do Meio Ambiente, Saint'Clair Santos, o Paraná está atrasado na implementação dos comitês de bacias hidrográficas e na cobrança de taxas de todos os usuários de água (incluindo Sanepar, Copel e indústrias). ''A partir dos comitês, teremos uma aplicação integrada dos recursos hídricos. Os comitês vão verificar as necessidades de cada bacia e aplicar, efetivamente, naquilo que é necessário'', ponderou o promotor. As ações dos comitês serão fiscalizadas pelo Ministério Público (MP) estadual e a aplicação de recursos terá o acompanhamento técnico do Tribunal de Contas (TC) do Paraná.
Saint'Clair lembrou que até mesmo as realocações de moradores de áreas de mananciais seria facilitada com a ação dos comitês, que teria que priorizar a qualidade da água. O secretário nacional de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, João Bosco Senra, disse que a política implementada em todo o Brasil quer se antecipar à preservação ambiental e de águas para evitar o desperdício e o racionamento de recursos hídricos no futuro. ''Todos nós dependemos da água, por isso temos que cuidar dos mananciais e das bacias hidrográficas. Esse é um processo dinâmico e que tem que ser feito ao longo dos anos'', pontuou Senra.
As considerações estão sendo realizadas desde ontem, em Curitiba, no IV Seminário Internacional das Águas Cidadania no Uso e Conservação dos Recursos Hídricos. O seminário termina amanhã. Experiências malsucedidas de distribuição de água foram mostradas durante o dia de ontem. O professor John Tucker, do Tenessee (EUA), foi um dos palestrantes. Em entrevista à Folha, ele contou que os estados do sudeste americano estão disputando água através de processos judiciais. Tudo por conta do péssimo gerenciamento ao longo dos anos e do crescimento demográfico de Atlanta.
''Foram feitas várias tentativas para acabar com as disputas entre os estados pelos recursos hídricos. Mas a situação de disputa continua. Os estados pensaram apenas no controle da poluição e a água é ambientalmente saudável. Mas não se consegue resolver a distribuição da água para a população'', ponderou ele. Foi criado um comitê para tentar debater a questão antes do julgamento judicial da exploração e da distribuição das águas.

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