Mônaco, 04 (AE) - A misteriosa morte do banqueiro Edmond Safra não está sendo investigada apenas pelas polícias monegasca e francesa, mas também pela inglesa, norte-americana e a israelense. Agentes especializados estrangeiros desembarcaram em Mônaco na noite de sexta-feira e na manhã de hoje.
A autópsia do corpo de Safra e de sua governanta, que também perdeu a vida no incêndio em seu apartamento, na sexta-feira, confirmou a morte por asfixia, segundo o procurador-geral Daniel Serdet. O exame foi feito no Ateneo de Mônaco, que se negou a informar se o cadáver do banqueiro havia sido retirado da instituição hoje.
A autópsia, inicialmentenão autorizada pela família, foi feita em razão das circunstâncias do incêndio, precedido de uma agressão. Antes de começarem as chamas, dois homens encapuzados entraram no apartamento de Safra. Até hoje à tarde família não havia decidido nem o local nem a data do sepultamento.
Apesar do sigilo que envolve as investigações, sabe-se que os policiais monegascos e estrangeiros têm se reunido nas últimas horas, tentando coordenar suas informações. Eles procuram os dois homens, eventuais cúmplices e mandantes da agressão que teve como consequência a morte, por asfixia, do banqueiro e de sua governanta no banheiro do apartamento de 800 metros quadrados de cobertura do edifício "Belle Epoque".
Contrato - Mesmo que o procurador-geral, Daniel Serdet, e o ministro do Interior, Philippe Deslandes, tenham orientado seus policiais a manter a maior discrição sobre as investigações
as autoridades confirmam que privilegiam as pistas sobre a existência de um "contrato" para a eliminação do banqueiro.
Os dois homens mascarados, responsáveis pela agressão, seriam profissionais, pois estavam suficientemente informados de como atingir o apartamento de cobertura evitando o sistema de alarme. Eles teriam sido contratados para a execução dessa tarefa, não se excluindo o exame da chamada "pista russa", mesmo que à primeira vista essa pista tenha sido considerada fantasiosa. A personalidade do banqueiro libanês Edmond Safra e a intervenção de seu banco em vários "casos sensíveis" deixam abertas, segundo os policiais, todas as hipóteses.
O ataque revelou falhas importantes no dispositivo de segurança de Mônaco, um paraíso fiscal que não só vende uma imagem de segurança financeira para investidores endinheirados, mas também segurança pessoal para milionários. Casos de sequestro não ocorrem em Mônaco e as agressões são muito raras. Isso explica a presença de numerosos esportistas, tenistas e pilotos de Fórmula Um, mas também artistas e homens de negócios
na condição de residentes permanentes no principado.
Por isso, um fato dessa natureza afeta a imagem de Mônaco, razão pela qual seus dirigentes administrativos, muitos deles recrutados na França, e mesmo sua população, pretendem que esse caso seja esclarecido rapidamente para garantir a tranquilidade nesse pequeno Estado de contos de fada. Como se sabe, Mônaco está ligado à França por acordos particulares e o atual primeiro-ministro, o francês Michel Leveque, ex-embaixador da França no Brasil, foi nomeado em comum acordo pelo príncipe Rainier e o presidente francês, Jacques Chirac.
Dotado de um sistema de observação por meio de múltiplas câmeras, em todo os seus principais eixos, e ligado a um posto de comando, o sistema de segurança do principado não parece ter funcionado a contento, pois pouco contribuiu para identificar qualquer movimento suspeito, mesmo a fuga dos dois agressores. Nessas últimas horas todas as imagens gravadas foram vistas e revistas, ao que parece sem grandes resultados por enquanto. Até então, Mônaco tinha a reputação de ser um dos estados mais bem controlados em todo o mundo.
Edmond Safra era um dos banqueiros mais discretos do Planeta, evitava entrevistas e aparecer nas páginas de jornais. Da família Safra, diz-se que seus assessores de imprensa, ao contrário de outros empresários, são pagos não para promover aparições nos jornais, mas sim evitá-las. Ele sempre cultivou uma imagem de homem respeitável, o que não quer dizer que se tratava de um homem recluso.
Na sua suntuosa mansão, nas imediações de Mônaco, em Villefranche sur Mer, chamada "La Leopolda", Edmond Safra, às vezes oferecia recepções a personalidades importantes como Javier Perez de Cuellar, antigo secretário geral da ONU e para o próprio príncipe Rainier.
Hoje o prefeito de Villefranche sur Mer, comentando na televisão o desaparecimento do banqueir, revelou que há alguns meses ele justificou sua opção pelo apartamento blindado de Mônaco por razões de segurança. Na imensa mansão " La Leopolda", as possibilidades de uma agressão ou de um sequestro eram maiores pelo tamanho da residência e seu isolamento. Esse é mais um dado que revela como o banqueiro temia que algo pudesse lhe acontecer.

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