Mônaco, 04 (AE) - A misteriosa morte do banqueiro Edmond Safra não está sendo investigada apenas pelas polícias monegasca e francesa, mas também pela inglesa, norte-americana e pelo serviço secreto israelense, o Mossad. Agentes especializados desembarcaram em Mônaco na noite de sexta-feira e na manhã de hoje.
O testemunho do enfermeiro do banqueiro tem intrigado as autoridades policiais encarregadas da investigação. O enfermeiro
cuja identidade não foi revelada - as poucas informações dão conta de que é de nacionalidade norte-americana e trabalhava havia cinco meses para Safra - foi ferido a faca no abdome e no braço. Segundo declarou à polícia, ele foi agredido por dois homens encapuzados por volta das 5h30, mas suas declarações foram consideradas no mínimo "confusas" pelos policiais. Hoje ele foi interrogado novamente.
Segundo Alexander Bruggmann, porta-voz do Republic National Bank, Edmond Safra será sepultado na segunda-feira no cemitério israelita de Genebra, Suíça.
Acerto de contas - A investigação está centrada agora no que ocorreu no apartamento do banqueiro antes do incêndio no qual Safra e sua enfermeira, Viviane Torrente, sufocados pela fumaça. Ambos estavam em um banheiro. Os policiais acreditam que os assaltantes tenham agido com a ajuda de cúmplices no interior do apartamento, sem descartar a hipótese de um "contrato" para eliminar o banqueiro. Essa possibilidade de um acerto de contas foi levantada já na sexta-feira nos meios financeiros londrinos, pois Edmond Safra estava recebendo ameaças há algum tempo.
O exame confirmou a asfixia como causa mortis, informou o procurador-geral Daniel Serdet. Apesar do sigilo que envolve as investigações, sabe-se que os policiais monegascos e estrangeiros têm se reunidopara trocar informações. Apesar de o procurador-geral, Daniel Serdet, e o ministro do Interior, Philippe Deslandes, terem orientado seus policiais a manter discrição sobre as investigações, as autoridades confirmam que privilegiam as pistas sobre a existência de um "contrato" para a eliminação do banqueiro.
Os dois homens mascarados, responsáveis pela agressão, seriam profissionais, pois estavam suficientemente informados de como chegar ao apartamento de cobertura evitando o sistema de alarme. Eles teriam sido contratados para a execução dessa tarefa, não se excluindo o exame da chamada "pista russa", mesmo que à primeira vista essa pista tenha sido considerada fantasiosa. A personalidade do banqueiro libanês Edmond Safra e a intervenção de seu banco em vários "casos sensíveis" deixam abertas, segundo os policiais, todas as hipóteses.
O ataque revelou falhas importantes no dispositivo de segurança de Mônaco, um paraíso fiscal que não só vende uma imagem de segurança financeira para investidores endinheirados, mas também segurança pessoal para milionários. Casos de sequestro não ocorrem em Mônaco e as agressões são muito raras. Isso explica a presença de numerosos esportistas, tenistas e pilotos de Fórmula Um, mas também artistas e homens de negócios
na condição de residentes permanentes no principado.Por isso, um fato dessa natureza afeta a imagem de Mônaco, razão pela qual seus dirigentes administrativos, muitos deles recrutados na França, e mesmo sua população, têm pressa em esclarecer o caso.
Dotado de um sistema de observação por meio de múltiplas câmeras, em todo os seus principais eixos, e ligado a um posto de comando, o sistema de segurança do principado parece não ter funcionado a contento, pois pouco contribuiu para identificar qualquer movimento suspeito registrar a fuga dos dois agressores. Todas as imagens gravadas foram vistas e revistas, ao que parece sem grandes resultados por enquanto.

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