Policiamento reforçado reduz ocorrências registradas em delegacia perto do estádio
São Paulo, 06 (AE) - Dia de jogo é dia de trabalho dobrado no 34.ª Distrito Policial, responsável pelo policiamento da região do Morumbi, na zona sul de São Paulo. Os oito a dez casos casos habitualmente registrados na delegacia multiplicam-se por dois. O saldo das partidas de futebol são furtos e roubos de carros, mas também atos de vandalismo e agressões e flagrantes de porte de entorpecente.
"Antes do jogo nós já percebemos se o dia será ou não movimentado, pois o problema maior não é dentro dos estádios, mas fora, quando as torcidas se cruzam", afirmou o delegado José Roberto dos Santos, titular da delegacia. Ontem (05), dia e Corinthians e Palmeiras pela Libertadores, esperva-se pelo pior, anunciado, às 20 horas, por torcedores corintianos que surfavam em cima do teto de um ônibus que passava em frente ao 34.º DP, na Avenida Francisco Morato.
Mas o pior não veio. Ao todo, das 20 horas à 1h30 de hoje, a delegacia registrou apenas 11 casos - seis de furto de carros, dois de roubo, um caso envolvendo apreensão de entorpecente, um atropelamento e uma acusação de abuso de poder. Na Quarta-feira passada, foram registrados 12 casos na mesma delegacia.
Desta vez, o esquema de policiamento foi reforçado. Cerca de 300 policiais civis e militares participaram do patrulhamento nas cercanias do estádio do Morumbi. "Dia e jogo eu me tranco em casa e não deixo meu filho sair", afirmou a comerciante Maria Cristina Sellare, que teve a loja assaltada durante a tarde de hoje. O caso dela foi o primeiro a ser atendido pela delegacia no plantão da noite de hoje. Um dos ladrões foi preso; o outro, fugiu. Depois dela, foi a vez de chegar ao distrito a dona de um Palio roubado. Ela teve sorte: foi a única vítima cujo carro foi recuperado naquela noite e madrugada.
Pouco depois, foi a vez do esquema de policiamento tornar-se alvo de uma acusação. O estudante de direito Igor Dainton Travassos da Rosa foi à delegacia acusar policiais militares que o retiraram do estádio. Corintiano, o estudante estava enchendo um balão quando segundo disse, um PM passou ao lado e estourou o balão. Ele reclamou e foi detido e despido pelos policiais. Na metade do primeiro tempo, foi solto e levado para fora do estádio. "Foi um abuso o que fizeram", disse enquanto acompanhava o jogo pela TV da delegacia.
Somente após o término do jogo apareceram a maioria dos casos. A história era sempre a mesma: a vítima saía do estádio e ia até onde havia estacionado o carro - geralmente, deixado nas ruas próximas ao Morumbi - e não o encontrava mais. "O mais incrível é que com todo esse policiamento os ladrões ainda puderam roubar", disse o comerciante Marcos Flávio Daineze Falcione.
O vendedor Francisco Meidlinger Filho teve o seu Fusca 1970 roubado quando visitava um amigo, morador em uma rua próxima do estádio. "Trablho na região há alguns anos e isso nunca havia acontecido comigo", disse.
Além dos furtos, na delegacia era possível presenciar a correria por causa dos torcedores que tentavam entrar de qualquer jeito nos ônibus que estavam passando na Avenida Francisco Morato. Até em frente da delegacia os torcedores paravam os carros e obrigavam motoristas a abrir a porta traseira. A PM interveio em um dos casos, obrigando os torcedores a deixar o ônibus, parado no meio da avenida, seguir viagem.
Para a polícia, o policiameno preventivo foi o responsável pela diminuição dos casos. "É esse tipo e policiamento que dá resultado", disse o delegado José Antonio Gonzalez, que fazia seu último plantão na delegacia. (Marcelo Godoy)





