Policial volta a dizer que tiro motivou invasão
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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Adriana Ferraz e Artur Rodrigues <br> <br> Agência Estado 
São Paulo - O depoimento do negociador do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), capitão Adriano Giovanini, no segundo dia de julgamento de Lindemberg Alves, causou um choque de versões. Ontem, mais de três anos após a morte de Eloá Cristina Pimentel em um conjunto habitacional de Santo André, ele continua a afirmar que um disparo no apartamento motivou a invasão do local pela Polícia Militar (PM).
A estudante Nayara Rodrigues da Silva, 18 anos, que estava no apartamento e acabou baleada, foi categórica ao dizer que ouviu três disparos só depois da explosão de uma bomba colocada na porta pela PM. Segundo o oficial, no dia da invasão, Lindemberg começou uma espécie de despedida, dizendo que Giovanini deveria dar lugar a outro negociador, para não ser ''responsabilizado pelo que ele faria''. ''Com esse prenúncio, houve um disparo e a equipe resolveu invadir'', disse, lembrando que a invasão estava predeterminada para o caso de qualquer disparo. Acabou questionado pela advogada de defesa, Ana Lúcia Assad, sobre o motivo de a PM não ter invadido o apartamento após outros disparos feitos por Lindemberg.
Giovanini ainda afirmou que a polêmica volta de Nayara ao apartamento, após ter sido liberada pelo réu, ocorreu após ordem do comando para usá-la como ''ferramenta de negociação''. Mas a jovem, segundo ele, passou do ponto de segurança e acabou voltando ao apartamento. Hoje, a opinião dos jurados sobre as teses de defesa e acusação devem ser conhecidas, assim como o futuro de Lindemberg, que pela primeira vez deve apresentar sua versão. Seu interrogatório é esperado no terceiro e provável último dia do júri.


