Policial morre a caminho da simulação de acidente em Angra
Agência Estado
De Angra dos Reis
O batedor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Marcelo Frederico Pinto Marinho, de 28 anos, morreu ontem de manhã, após derrapar com sua motocicleta e chocar-se de frente com um caminhão de carga no km 427 da Rio-Santos (BR-101), quando estava a caminho de Angra dos Reis (litoral sul do Rio) para participar do Exercício Geral de Emergência da Central Nuclear de Angra.
A PRF admite que é alto o índice de vítimas na região, por causa do estado de conservação da estrada principal rota de acesso e evacuação da cidade no caso de um eventual acidente nuclear, como o simulado ontem. O problema já preocupa até mesmo a Eletronuclear, operadora da Usina Angra 1. O superintendente de Apoio Operacional da empresa, Luiz Henrique Gonçalves, disse que se o governo federal não realizar as obras necessárias até o início de janeiro a empresa vai financiar a reforma da Rio-Santos.
De acordo com o deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ), que acompanhou a simulação do plano de emergência, já foi feito um relatório que aponta 39 pontos críticos na Rio-Santos. Estamos muito longe de um plano que realmente dê segurança e a estrada funcionar bem é uma condição para isso. Gabeira e os deputados Ronaldo Vasconcellos (PFL-MG) e Luiz Sérgio Nóbrega (PT-RJ), da Comissão Externa da Câmara, reclamaram também da falta de participação da população do exercício. Moradores da região consultados pela reportagem disseram não ter ouvido a sirene disparada no início da operação.
No começo da tarde, foi realizada a simulação do deslocamento de pessoas para os abrigos, num raio de cinco quilômetros da usina, mas apenas bombeiros (cerca de 100) participaram da atividade. A população da região já sabe como proceder graças às campanhas de esclarecimento, garantiu o capitão Renato Pontes.
Na usina, quando tocaram as sirenes, cerca de 2.500 pessoas participaram do exercício, parando suas atividades. Para o procurador da República no Rio Daniel Sarmento, que também acompanhou as atividades, o plano de emergência está longe do ideal, mas está melhorando com o tempo.
Os parlamentares vão preparar um relatório sobre o exercício, que será encaminhado ao governo federal e no qual são feitas reivindicações, como a compra de novas sirenes para instalar nas chamadas zonas de sombra e o aperfeiçoamento de serviços como o telefone da Defesa Civil (atualmente, ao discar para o número 193 de Angra, a ligação cai do destacamento de Volta Redonda).





