Policial mata estudante com tiro na nuca
Salvador Depois de perseguir durante 70 quilômetros um carro suspeito de ter sido tomado de assalto, o policial rodoviário federal José Juarez Tenório matou no final da noite de ontem a estudante Verena de Queiróz Carvalho, 16 anos, na BR-324, rodovia que liga as duas principais cidades da Bahia, Salvador e Feira de Santana. Em depoimento à Polícia Federal, Tenório confessou o crime. ''O que aconteceu foi uma fatalidade. Não quero falar mais nada sobre a morte da estudante'', disse o policial rodoviário, que tem 15 anos de serviço público. O disparo, segundo ele, teria sido acidental.
Depois de passar uma noite detido, Tenório foi libertado na manhã de ontem. Segundo a PF, ele vai aguardar o julgamento em liberdade. A perseguição ao carro que transportava a estudante começou por volta das 21h, de acordo com Vanessa Carvalho, irmã da vítima.
''Nós não percebemos nenhum sinal dos policiais rodoviários mandando o carro sair da pista para qualquer tipo de averiguação'', disse Vanessa. A irmã da estudante assassinada também negou a versão da Polícia Rodoviária Federal, que alega ter iniciado a blitz ao notar que o carro estava com os faróis desligados.
''A versão é fantasiosa. Além da documentação, todos os equipamentos do veículo estavam em ordem.'' Segundo ela, três agentes rodoviários perseguiram o carro até as proximidades de Feira de Santana (108 km de Salvador). ''Nós deixamos o carro, e os policiais não encontraram nenhuma irregularidade. De uma hora para outra, um policial (José Juarez Tenório) sacou uma pistola e atirou covardemente na nuca da minha irmã.'' Verena Carvalho morreu antes de ser atendida pelos médicos do Hospital Clériston Andrade, em Feira de Santana, para onde foi transportada.
Ontem, o coordenador da Polícia Rodoviária Federal na Bahia, Antonio Carlos Faria, classificou o crime como uma ''fatalidade''. ''Nós já iniciamos as apurações e vamos dar uma resposta concreta à sociedade.'' Faria disse também que José Juarez Tenório foi afastado das suas funções. ''Ele não vai trabalhar na Polícia Rodoviária até que as apurações sejam concluídas.''





