Policial é morto durante rebelião em Distrito, em São Paulo
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sexta-feira, 31 de dezembro de 1999
por José Gonçalves Neto 
São Paulo, 31 (AE) - O investigador José Antonio da Silva foi morto e 16 presos fugiram hoje do 48.º Distrito, em Cidade Dutra, zona sul. A servente Rosa Rodrigues da Silva foi mantida refém por mais de quatro horas e teve ferimentos leves no rosto. Cerca de 80 policiais cercaram o local.
A rebelião começou às 8h30, com um tentativa de fuga, e terminou às 13 horas, com a libertação da refém. Para isso, os presos exigiram a presença do juiz-corregedor Maurício Lemos Porto e a promessa de que não haveria retaliações pela morte do investigador. Eles atearam fogo a colchões e os bombeiros foram chamados. Duas das cinco celas tiveram as grades destruídas.
Um dos motivos da revolta foi a superlotação. O xadrez do distrito tem 30 vagas, mas, antes da fuga, abrigava 153 presos. Havia apenas cinco policiais de plantão no DP.
Pistola - Os detentos rebelaram-se na hora do banho de sol. A faxineira entrou para recolher o lixo, acompanhada por dois investigadores e um carcereiro. Nesse momento, armados com estiletes e uma pistola semi-automática, eles dominaram Rosa e tiraram a arma do carcereiro, que escapou.
Silva tentou reagir, mas levou um tiro no peito. Na confusão, 16 detentos deixaram a carceragem e pularam o muro de uma creche ao lado. O outro investigador, Sílvio de Oliveira, tentou dominar a situação disparando seis tiros. O restante dos detentos recuou para as celas com a refém. "O carcereiro começou a gritar desesperado, dizendo que haviam acertado o colega e, enquanto atirava para segurar a fuga, tentei abrir espaço para que ele pudesse ser socorrido", contou.
Impasse - Durante as negociações com o juiz e o delegado Domingos de Paula Neto, da Seccional Sul, os presos exigiram a presença da imprensa como condição para libertar a refém. A negociação teve momentos de impasse. "A maioria deles é réu primário e parecia não confiar na palavra do juiz", disse Porto. Dez presos foram levados para a Cadeia Pública de Pinheiros. Outros 20 serão transferidos até o fim da noite.
Apelidado de Abraham Lincoln, por sua semelhança com o ex-presidente dos Estados Unidos, Silva, de 54 anos, era divorciado e tinha um filho de 13 anos. Estava na polícia havia 15 anos. Abatido com a rebelião no último dia do ano e a morte do colega, o delegado Arthur Alves Moreira resumiu a situação: "Infelizmente, hoje não era o nosso dia."


