Policial defende 'tolerância zero' em SP
Agência Estado
De São Paulo
O chefe de polícia de Nova York, Howard Safir, que é adepto da política de tolerância zero, sugeriu ontem que o sistema seja criado na cidade de São Paulo. Ele deu três sugestões de medidas para reduzir a criminalidade: O primeiro seria dar um sinal para a sociedade e para os criminosos de que o crime, por menor que seja, é inaceitável, afirmou Safir, em entrevista concedida na manhã de ontem ao programa De Olho no Mundo, uma produção conjunta da Rádio Eldorado, de São Paulo, e da BBC, de Londres.
Se você der um sinal de que não haverá punição para esse tipo de crime, os criminosos receberão isso como sinal verde para cometer todos os tipos de crime. A segunda sugestão seria a criação de uma rede de informação: em Nova York, existe um banco de dados centralizado, com informações sobre os locais mais violentos e tipo de crimes que estão ocorrendo.
A terceira medida seria a prestação de contas: alguém tem de ser responsabilizado para atingir as metas. Se a polícia não conseguir reduzir a criminalidade, o responsável seria demitido, preconizou. Safir falou ainda sobre a necessidade de unificação da polícia paulista. Ele disse ser importante que as forças policiais prestem contas a uma mesma pessoa.
No caso de São Paulo, ele acredita que esse controle deveria ficar nas mãos do prefeito da cidade. - O chefe de polícia de Nova York também afirmou ser contra a população se armar no combate ao crime. A polícia é que tem de se encarregar; isto foi feito em Nova York e é o que deve ser feito também em São Paulo.
A tolerância zero começou a ser aplicada em Nova York, em 1994, pelo então chefe de polícia, Bill Jackson, que começou com a campanha da janela quebrada: se você ignorar a janela quebrada de um prédio, outras janelas também serão quebradas e a área vai passar a ter uma imagem de abandono.
Segundo ele, os cidadãos cumpridores da lei vão deixar o lugar e os criminosos vão instalar-se lá. Nenhum crime seria pequeno demais, dentro da política de Jackson.
Desde 1996, é Safir quem está à frente do programa e trabalha muito próximo do prefeito da cidade, Rudolph Giuliani. Em quase seis anos, a criminalidade em Nova York caiu pela metade.
Em 1990, foram cometidos pouco mais de 2,2 mil assassinatos na cidade, enquanto que no ano passado esse número caiu para pouco mais de 600. São Paulo teve, em 98, 5.548 homicídios. O controle de armas também fez efeito: em 1992, 1,5 mil pessoas foram mortas a tiros. Em 98, foram menos de 300 pessoas. Os crimes violentos no metrô de Nova York caíram 60%; os roubos diminuíram 11% de 96 para 97 e os assaltos à mão armada caíram 10%.
AssaltoA polícia de Itu, a 98 quilômetros de São Paulo, espera prender até hoje o segundo menor envolvido no assalto ao padre José Raimundo Lucas Prazer, 39, vigário de Salto, baleado com quatro tiros domingo à noite. O adolescente F.A.P., de 16 anos, estava escondido no forro de uma casa na periferia de Itu. Ele confessou ter dado um dos tiros contra o pároco, que teria reagido ao assalto. O menor acusou A.C.S., de 17 anos, residente em São Paulo, de ter feito os outros três disparos.





