Rio, 02 (AE) - A criação do Instituto de Segurança Pública (ISP), autarquia que deverá comandar o processo de integração das polícias Civil e Militar no Rio de Janeiro, a partir de janeiro, poderá resultar na exoneração da chamada "banda podre" da corporação, afirmou hoje o governador Anthony Garotinho (PDT). "Quem não tem ficha limpa nem deveria estar na polícia", comentou.
Perguntado sobre o destino dos policiais de ficha considerada suja, o governador disse que vai "cumprir" a legislação e exonerá-los: "O que determina a lei?Que saiam."
O projeto de lei que cria o ISP foi aprovado ontem (01) na Assembléia Legislativa do Estado e deverá ser sancionado por Garotinho nos próximos dias. O secretário da Segurança Pública, coronel Josias Quintal, informou que o governo vai baixar um decreto, ainda este mês, para definir os critérios de seleção de policiais.
Centro - Segundo Quintal, o projeto do ISP ainda está sendo discutido com o comando das instituições, mas "possivelmente" o centro da cidade deverá ser escolhido entre as 34 áreas de segurança do Estado para começar o trabalho. "Penso que em três meses poderemos concluir esse processo na primeira área e, em três anos, em todo o Estado."
Nova Polícia - Garotinho destacou a "disposição do governo" de construir uma "nova" política de segurança. "Para isso, era preciso uma nova polícia, como estamos fazendo na prática", comentou. O projeto é considerado prioritário pelo governador, mas enfrenta resistência por parte de associações de policiais, que prometem até contestar a legalidade do ISP no Supremo Tribunal Federal (STF).
"Não podemos pegar uma situação complexa como é o sistema policial, acabar com a polícia e achar que no outro dia vai nascer outra", disse o governador. Segundo ele, transformações como a seleção de policiais e a unificação de ações entre as polícias serão feitas gradativamente.
Taxa - Além da futura "subordinação" dos policiais civis e militares ao ISP, o projeto prevê a cobrança de uma taxa de prestação de serviços de segurança em eventos particulares. "A taxa será recolhida pelo ISP e repassada para o contracheque do policial, mas tudo isso ainda é uma possibilidade, vamos discutir." Garotinho não confirmou a possível saída do chefe da Polícia Civil, Carlos Alberto dOliveira. Quintal não quis comentar o assunto.

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