Foz do Iguaçu- O policial civil Ademir Policarpo Ferreira, de 45 anos, foi morto ontem durante assalto na Ponte da Amizade - que liga Foz do Iguaçu a Ciudad de Leste, no Paraguai. Ferreira atuava como escrivão-chefe da Delegacia de Francisco Beltrão e estava indo para o Paraguai, a passeio, acompanhado pela esposa e um casal de amigos.
O disparo ocorreu às 10h30, horário em que a Ponte estava lotada, e não foi notado pelo policial Rodoviário Federal, que estava a 75 metros de distância, em razão do barulho no local.
Segundo os acompanhantes do policial, eles receberam voz de assalto de uma dupla de paraguaios ainda no lado brasileiro. Ao se virar para o assaltante, Ademir Ferreira levou um tiro no peito à queima roupa. Não está claro se agiu desta forma apenas para visualizar melhor a janela ou para reagir ao roubo. Antes do próximo disparo, o policial conseguiu empurrar a arma e o tiro acertou o pé do segundo bandido.
O comerciante que acompanhava o escrivão no passeio contou à reportagem da Folha que ele ainda desceu do carro e tentou dar alguns passos, já que o trânsito estava quase parado. Os dois bandidos fugiram rapidamente para o Paraguai.
''Nós ficamos ali totalmente perdidos a gente pedia para as pessoas ajudarem mas ninguém se aproximava'', contou o comerciante, que pediu para não ter o sobrenome divulgado temendo represálias. ''O Ademir era uma excelente pessoa, um homem íntegro e honesto. Infelizmente, ele deixou a esposa viúva ainda nova e uma filha de sete anos''.
No meio da tarde, a Polícia Civil já tinha identificado os dois assaltantes paraguaios: Pascoal Morales Cristaldo - que levou o tiro no pé e foi preso em Ciudad de Leste pela polícia local; e Ramon Lopes, autor dos disparos, que permanece foragido. Cristaldo é condenado pela Justiça paraguaia por roubo e vai permanecer no país de origem. Um terceiro suspeito, Ricardo Gonzáles, também foi detido porque a moto usada na fuga é dele. O suspeito é irmão de Cristaldo mas não há confirmação de sua participação no latrocínio.
No final da tarde, a família do policial estava na delegacia central de Foz finalizando os trâmites para remover o corpo do policial para Francisco Beltrão, onde será sepultado hoje. Chocados, eles não falaram com a reportagem.
O delegado adjunto da Polícia Civil em Foz, Marcelo Sakuma, disse que já foi instaurado inquérito no Brasil, mas há dúvidas sobre a forma de conduzir as investigações sobre os paraguaios. Fontes da Folha disseram que o processo corre normalmente, sem caráter de revelia, mas dificilmente os autores cumprirão pena no país.

mockup