Foram 12 tiros. O policial Carlos Kutz, 34 anos, descarregou seu revólver duas vezes no empresário Marco Fracaro, 38 anos, para matá-lo na madrugada de 26 de maio. Ele foi preso no dia seguinte, por sequestro e roubo seguido de morte. De acordo com o delegado Vinícius Martins, do 8º Distrito Policial, a prisão só foi possível porque o agente vacilou e deu duas pistas condideradas decisivas: tentou sacar R$ 10 mil da conta bancária da vítima com uma carteira de identidade falsa e abandonou tanto o cheque quanto o documento irregular numa agência bancária.
Lotado na delegacia do Aeroporto Afonso Pena, Kutz foi chamado ao 8º DP na manhã do dia 27. ‘‘Ele atendeu à convocação, confessou o crime e tentou assumir toda a responsabilidade para proteger sua mulher’’, disse o delegado. Um dia antes, a equipe da delegacia conseguiu a informação de que um homem tinha deixado um cheque de R$ 10 mil e uma carteira de identidade na agência do Banestado do bairro Tarumã. ‘‘O cheque levava a assinatura do empresário e a carteira, falsificada, estava com a foto do policial’’, contou o delegado.
Plano - A mulher de Kutz, Reny de Oliveira, 36 anos, foi a mentora intelectual do crime, que tem penas que variam de 20 a 30 anos de cadeia. Até quatro anos atrás, Reny trabalhava para o empresário, dono da Clínica Médica e Dentária Santa Cecília e da Corretora de Seguros Sudamérica. Os dois estabelecimentos foram visitados por ela na semana anterior ao assassinato.
Tido como um policial pacato e honesto, Kutz teria aproveitado utilizado métodos de investigação para premeditar o crime. ‘‘O agente estudou a rotina do empresário nos mínimos detalhes’’, afirmou o delegado. O garçom Maurício Matoso, 21 anos, também envolvido, foi preso no dia 29. Com o depoimento dele, Martins teve a certeza de que Reny de Oliveira havia planejado tudo: ‘‘Ela marcou encontro com o empresário no Centro de Curitiba e o levou ao bar Classic’s, em Colombo. Lá, o garçom e Kutz deram voz de assalto a Fracaro, que assinou um cheque em branco’’.
Do bar, de propriedade de Reny, os quatro foram para a casa do empresário, no Portão, em Curitiba, onde ele assinou um recibo falso da venda de seu carro, um Ômega. Em seguida, Fracaro foi levado para um matagal próximo ao Parque Passaúna, em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba, onde foi assassinado. Kutz justificou o crime com a necessidade de obter dinehrio para o tratamento de saúde de Reny, que teria problemas renais(D.J.)

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