Pequim, 02 (AE-REUTERS) - Um policial chinês perdeu os dois braços e um olho após a explosão de uma bomba caseira fabricada por um grupo de camponeses para extorquir um secretário do Partido Comunista na localidade de Chiangcheng, situada na província central de Hunan.
A polícia iniciou uma intensa perseguição contra Zhang Xitang, um camponês de 20 anos desempregado, suspeito de ter colocado a bomba, no dia 26, no quarto de hotel em que estava hospedado.
Segundo publicou nesta terça-feira (02) o jornal Yangcheng Evening News, a bomba relógio explodiu quando agentes de polícia entraram no quarto para averiguar denúncias sobre o suspeito.
O policial Jiang Ziliang, de 36 anos, ficou muito ferido, foi levado às pressas para um hospital, mas sua condição é estável. Segundo um funcionário municipal, a mulher e a filha de quatro anos do policial estão recebendo doações do governo.
A polícia indicou que um suposto cúmplice, Zhang Wei, de 29 anos, foi posto sob custódia após alertar o secretário do PC de Xiangcheng sobre a bomba que fora escondida no hotel e seria usada naquela noite na residência do alto funcionário.
Em um outro incidente, na província de Fujian, dois homens foram presos por detonar uma bomba por controle remoto na frente de um banco para depois roubá-lo.
Duas pessoas morreram e cinco ficaram feridas na explosão, informou hoje o jornal Guangzhou Daily. Se trata do nono atentado à bomba na China desde o início do ano. Trinta e uma pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas nas explosões.
As reformas econômicas que transformaram a China nos últimos 20 anos são mais temidas do que amadas pelos chineses, já que a insatisfação e a desilusão começam a ameaçar a estabilidade social da nação, segundo declarações divulgadas hoje pela Academia de Ciências Sociais do país asiático.
A academia divulgou um informe do qual emerge uma panorama pessimista sobre a situação geral do país, sobretudo porque, aparentemente, não há soluções a curto prazo.
O problema principal das cidades são as demissões provocadas pelo processo de reestruturação das empresas públicas: segundo dados referentes a 1998, mais de 10 milhões de pessoas perderam seus empregos e somente 30% conseguiram encontrar nova ocupação, enquanto metade vive de subsídios estatais.
A criminalidade está em franca expansão. A polícia investigou no ano passado 1,3 milhões de casos - aumento de 22% em relação a 1997. Os homicídios chegaram a 21 mil - quase 6% a mais do que no ano anterior -, enquanto que os atentados à bomba chegaram a 2,5 mil - um aumento de 9%.

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