Curitiba - Foi realizado ontem, na 1 Vara do Tribunal do Júri de Curitiba, o julgamento do policial civil Daniel Luiz Santiago Cortes, acusado de participação no chamado caso Zanella. Cortes era superintendente do 12º Distrito Policial (DP) da capital paranaense em 1997, quando o estudante universitário Rafael Rodrigo Zanella foi morto numa abordagem feita por policiais da unidade no bairro de Santa Felicidade. O policial foi acusado de fraude processual, denunciação caluniosa, falsidade ideológica e tortura. A sentença seria conhecida apenas após o fechamento desta edição.
Carlos Henrique Dias, que era escrivão do 12º DP na época do crime, e Maurício Fowler, ex-delegado adjunto da unidade, também serão julgados, amanhã e na semana que vem, respectivamente. O informante Almiro Deni Schmidt, apontado como responsável pelo disparo que matou Zanella, e os investigadores Airton Adonski e Reinaldo Siduovski já foram condenados pela Justiça e cumpriram pena.
Na noite de 28 de maio de 1997, policiais civis procuravam na região de Santa Felicidade um traficante e abordaram um carro onde estavam Zanella e alguns amigos. Segundo a acusação, o informante (que não pertencia aos quadros da Polícia Civil, mas agia como se fosse da corporação) efetuou um disparo que matou o estudante e os policiais adulteraram a cena do crime para parecer que os jovens haviam reagido à abordagem e eram traficantes. Os policiais teriam colocado uma arma e maconha no carro. Após prenderem os amigos de Zanella, teriam ameaçado e torturado os jovens para que não revelassem a verdade.
No julgamento, ontem, Cortes afirmou que na noite do crime estava em uma confraternização de policiais e foi avisado por bip da ocorrência. Ao chegar ao local, segundo sua versão, teria ajudado a isolar a área. Em seguida, teria levado duas armas, uma do delegado Fowler e outra que estava no local do crime, para o 12º DP. Depois, teria retornado à festa. Cortes disse que não procurou se informar sobre os desdobramentos do caso, porque o responsável pela ocorrência seria o delegado. O réu alegou que não teria como alterar a cena do crime, pois havia muitas pessoas no local, e negou ter praticado os crimes de que foi acusado.
Elizabeta Zanella, mãe de Rafael, se mostrava confiante na possibilidade de condenação dos três policiais. ''Sempre cobrei que não houvesse dois pesos e duas medidas para a Justiça. Os investigadores foram condenados rapidamente, e no caso desses outros policiais, o processo foi sendo adiado. Estou satisfeita por ver os julgamentos acontecendo. Está muito clara nos autos a culpa deles. A cidade não precisa desse tipo de policiais'', comentou.

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