Curitiba - Mais um capítulo do polêmico caso Tayná veio à tona. O advogado de defesa de Silvan Rodney Pereira, ex-titular da Delegacia do Alto Maracanã, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), confirmou ontem que seu cliente e outros nove policiais civis foram intimados pela Justiça a fornecer material genético para a Polícia Científica.
O delegado afastado e os demais policiais foram presos em julho. Eles são acusados de envolvimento na prática de tortura contra quatro homens para que confessassem o assassinado a adolescente Tayná Adriane da Silva, de 14 anos. Na época, a Justiça de Colombo concedeu mandados de prisão a pedido do Grupo Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Agora, conforme as informações, as amostras de DNA coletadas dos policiais serão confrontadas com o sêmen encontrado na calcinha da adolescente. Como o caso corre em segredo de Justiça, nenhuma das instituições que conduzem as investigações (Polícia Civil e Ministério Público) confirmou se fez a solicitação dos exames para o Judiciário.
O inquérito sobre o caso está agora sob responsabilidade do delegado Cristiano Quintas, da Delegacia de Homicídios (DH) de Curitiba. A Polícia Civil informou, por meio de sua assessoria, que durante todas as investigações não apareceram indícios envolvendo nem o delegado nem os policiais para que fossem pedidas as amostras de DNA, mas que respeita as posições do MP. A PC, entretanto, disse que não vai se manifestar sobre o assunto. Já Polícia Científica, também por assessoria, disse que assim que a demanda judicial chegar até a instituição ela será cumprida.
O advogado de Silvan, Cláudio Dalledone Jr., informou que seu cliente vai atender a intimação, mas que solicitará que um perito particular acompanhe o procedimento de análise do DNA. "Com todas as notícias do caso que surgiram nos últimos meses envolvendo vazamento de laudos é natural que ocorram suspeitas, por isso queremos que ocorra uma supervisão. Essa suspeita contra o meu cliente é infundada", ressaltou.

Governo
O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), disse que desconhecia a notícia, mas que todos os suspeitos e todos os indícios devem ser apurados com o devido rigor. Ele participou da abertura da 90ª reunião do Fórum Nacional de Secretarias Estaduais do Trabalho (Fonset), no Hotel Bourbon, em Curitiba, onde conversou com jornalistas sobre o caso.
Richa também negou que as investigações sobre o caso Tayná e o recém-descoberto esquema de corrupção dentro da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos de Curitiba (DFRV) tenham instaurado uma crise na Polícia Civil. "Isso acontece em qualquer setor. O importante é que o nosso governo não admite qualquer tipo de desvio de conduta. Somos intolerantes com esse tipo de situação. E não tenham dúvida alguma que as investigações acontecem e que nós vamos dar uma resposta à sociedade. Isso é incompatível com o nosso governo; esse tipo de comportamento".
"A maior prova que eu posso dar de que nós queremos uma polícia limpa, afastada de questões ilícitas, de desvio de conduta, de pacto com a corrupção, é que coloquei à frente da secretaria (de Segurança Pública) um membro do Ministério Público. Uma pessoa das qualidades e credibilidades do Cid Vasques, que sabe que no nosso governo tem carta branca para passar a polícia a limpo e termos cada vez mais uma polícia identificada com os interesses da população e que ofereça segurança a todo o Paraná."

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