Policiais são vítimas do crime no Rio
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quinta-feira, 05 de outubro de 2000
France Presse Do Rio de Janeiro 
A violência atingiu em cheio a polícia do Estado do Rio de Janeiro nesta semana. Dois oficiais foram mortos e um ferido. Também há a suspeita de que um corpo que foi encontrado esquartejado seja de outro policial, conforme informou ontem a Secretaria Estadual de Segurança Pública.
Na quarta-feira foram assassinados a carcereira da Polícia Civil Neiva Mira, de 39 anos, que recebeu 10 tiros ao sair de sua casa no subúrbio do Rio e o policial militar Anderson Feitas Mendonça, de 26 anos, cuja viatura foi baleada na saída de um túnel da cidade.
Além disso, o policial militar Sales Ximenes Arago, de 32 anos, foi abordado por três homens quando chegava em sua casa (que também fica no subúrbio). O policial trocou vários tiros com os homens, sendo atingido por seis, mas conseguiu sobreviver.
A polícia acredita ter encontrado na Favela do Dique (Zona Norte) o corpo do detetive da polícia civil Vicente Gomes Silva, de 43 anos, que na segunda-feira foi sequestrado por cinco homens armados no município de Nova Iguaçu.
Esquartejado, o cadáver foi encontrado sem cabeça e sem os membros, além de sinais de que tenha sido queimado e torturado. Como é impossível reconhecer o corpo, a polícia espera pelos resultados dos testes de DNA, mas tem 90% de certeza de que se trata do policial por causa dos testemunhos obtidos na favela.
Estamos consternados (por esse caso), mas temos que atuar com responsabilidade, sem cair no olho por olho, dente por dente, explicou o chefe da polícia civil, Rafik Louzada Aride à imprensa.
Com estas mortes nas quais se inclui a do detetive sobe para 73 o número de policiais mortos (58 militares e 13 civis) no Estado neste ano, contra 80 em 1999, sendo que 85% deles foram assassinados quando não estavam em serviço.
A maioria dos policiais brasileiros também trabalha em empresas de segurança privada devido aos baixos salários que recebem (média de R$ 100,00 ou 200 dólares).
O Núcleo de Defesa dos Policiais Civis realizou ontem uma manifestação de protesto motivada pelos últimos acontecimentos. Segundo Cláudio Cruz, coordenador do Núcleo está aberta a temporada de caça aos policiais.
Para os bandidos matar um policial é como conseguir um troféu. A polícia tem que se esconder. Chegou a hora de o governo mostrar sua autoridade impedindo que seja escrita outra página negra na história do Estado, explicou Aride.


