Curitiba - O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Paraná (MPPR) cumpriu ontem 18 mandados de busca e apreensão durante a Operação Vortex, desencadeada na capital e região metropolitana para investigar uma suposta rede de extorsão formada por policiais civis, incluindo delegados.
Segundo o Gaeco, algumas equipes que fiscalizavam lojas de revendas de autopeças e ferros-velhos de Curitiba e região cobrariam propina para não denunciar supostas irregularidades nestes estabelecimentos. Estas pessoas também são suspeitas de acobertar investigações contra lojas que recebiam peças de veículos roubados. De acordo com o Gaeco, pelo menos 11 pessoas estão sendo investigadas, sendo três delegados e oito policiais.
Durante o cumprimento dos mandados de apreensão, dois delegados e um investigador foram presos em flagrante por porte ilegal de arma e munição restritas, e estão na carceragem do órgão, em Curitiba.
Gérson Machado, titular do 6º Distrito Policial (DP) e ex-delegado da DFRV; Luiz Carlos de Oliveira, responsável pela Divisão de Crimes Contra o Patrimônio (DCCP); e o investigador Aleardo Riguetto, do 6º DP; foram presos na manhã de ontem e também são investigados por participação no esquema. Na residência de Oliveira, o Gaeco ainda apreendeu US$ 98 mil em dinheiro.
Em entrevista a emissoras de televisão, Machado negou a acusação de extorsão e disse que está sendo "perseguido" por causa do seu trabalho quando estava à frente da DFRV. Ele foi transferido para o 6º DP em setembro do ano passado. Oliveira e Riguetto não comentaram suas prisões e os advogados dos dois não foram localizados pela reportagem.
Os mandados de apreensão foram cumpridos nas residências dos três presos, em delegacias e também em desmanches de veículos e lojas de revendas de autopeças da capital.
Conforme o procurador de Justiça e coordenador do Gaeco, Leonir Battisti, as extorsões estariam acontecendo há mais de um ano e as investigações foram iniciadas há oito meses, por meio de denúncias que chegaram ao Gaeco. "Há indícios fortes de corrupção na DFRV e na DCCP. Conseguimos mandados de busca e apreensão na Justiça e agora vamos analisar todas as informações contidas em computadores, agendas e blocos apreendidos", ressaltou.
As investigações do Gaeco prosseguem e, futuramente, conforme as investigações forem avançando, mandados de prisão podem ser requeridos à Justiça, apontou Battisti. "O envolvimento de algumas pessoas nesta prática ilícita muitas vezes passava despercebida. Em denúncias que deixavam de ser apuradas, por exemplo", disse. Participaram da operação equipes do Gaeco, além de integrantes da Corregedoria da Polícia Civil na capital.

Posicionamento
A Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), por meio de nota oficial, informou que aguarda os desdobramentos da investigação sobre supostos desvios de conduta de policiais civis.
O governador Beto Richa, se pronunciou sobre o caso e disse que "se as investigações comprovarem irregularidades os policiais envolvidos serão punidos rigorosamente".

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