Policiais são presos após depoimento à CPI no Rio
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de março de 2000
Por Roberta Jansen e Felipe Werneck 
Rio, 31 (AE) - Os policiais Antônio Carlos Cypriano de Mello
Sérgio Roberto Gapanowics, José Luis Magalhães e Ricardo Wilke, acusados de extorquir o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, foram presos hoje durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico. Também foram expedidos mandados de prisão contra os policiais Alexandre Campos de Faria, Carlos Coelho Macedo e Luiz Benício Privat, que
até as 18h, não haviam sido localizados. A CPI pediu a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônicos dos policiais.
"Existem contra eles indícios de extorsão e formação de quadrilha para tráfico de drogas", justificou o deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ). A prisão temporária de 30 dias foi requerida pelo Ministério Público Estadual na noite de quinta-feira à juíza Maria de Lurdes Vale, plantonista da 1ª Vara Criminal, com base em pedido da CPI. O secretário de Segurança, Josias Quintal, que acompanhou durante todo o dia de hoje os depoimentos, não estranhou as prisões.
De acordo com o requerimento, os policiais civis Mello, Gapanowics, Faria, Macedo e o agente federal Privat - na época lotado no gabinete do deputado Wanderley Martins (PDT-RJ), que pediu afastamento da CPI por esse motivo - participaram de extorsão a Beira-Mar em maio do ano passado.
Todos os policiais já estavam afastados de suas atividades e respondiam a processo por esses motivos. As prisões, no entanto, deixaram indignados os advogados dos policiais. "Hoje vai ter festa e foguetório nas favelas", ironizou o advogado José Carlos Tórtima, que defende Magalhães, referindo-se à alegria dos traficantes diante da prisão de seu cliente. "Isso só serve para beneficiar bandidos e desmoralizar um policial que tem 13 anos de bons serviços prestados."
A pedido do Ministério Público, a CPI autorizou a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico do chefe de Polícia Civil, Rafik Louzada, dos detetives Fernando César Barbosa, Ricardo Wilke, e José Luis Magalhães e de suas respectivas famílias. Foi pedida também a quebra de sigilo para os policiais Marcos Reimão
Márcia Julião e José Carlos Guimarães.
O depoimento mais esperado da tarde foi o do empresário mineiro Paulo César Santiago, irmão do deputado estadual de Minas Gerais Arlen Santiago, acusado de envolvimento com Beira-Mar.
O empresário, dono de lojas de automóveis, contou aos deputados que seu patrimônio varia entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões. Ele não soube explicar a movimentação de R$ 50 milhões, em valores atualizados, em contas nos bancos La Nación Argentina e Mossoró, entre os anos de 1991 e 1994. O empresário também não soube explicar o aluguel de um avião, em 1993, por R$ 500 mil.


