Dos 17 inquéritos, o único em que houve apresentação de denúncia, já acatada pela Justiça, é a tentativa de homicídio que teria sido cometida pelos policiais Jefferson Oliveira e Leandro da Silva Crepaldi. A ação está na fase de instrução. A última oitiva solicitada pela acusação seria realizada nesta terça-feira (29): o depoimento do delegado Cristiano Quintas, que foi chefe da força-tarefa para investigação dos policiais envolvidos na chacina. O depoimento de Quintas foi remarcado porque o delegado não compareceu na audiência de novembro de 2018. Segundo o advogado de Oliveira, Guilherme Cavalcanti, embora o Ministério Público tenha insistido que o delegado fosse ouvido, ele não foi encontrado e não prestou depoimento nesta terça.

Segundo a denúncia acatada pelo Judiciário, Oliveira e Crepaldi tentaram matar Carlos Augusto Oliveira de Souza, Fabrício Negretti e Rogério Maurício Martins, em via pública no Jardim São Lourenço, na zona sul, no dia 30 de janeiro, por volta de uma hora da manhã. A Justiça verificou a existência de materialidade delitiva e de indícios de autoria recaindo sobre Crepaldi e Oliveira. De acordo com o boletim de ocorrência, o relatório de autoridade policial, laudos de lesões corporais, exame de local do crime e exame de munição, prontuários médicos e depoimentos de testemunhas durante interrogatório.

O advogado Vinicius Coutinho, que defende o policial Leandro Crepaldi, diz que até então as testemunhas que foram ouvidas de acusação "não têm tanto o que dizer dos fatos", e que a pessoa que delatou os policiais como autores do crime está presa. "Não sei se ela foi coagida ou não, mas preferiu não responder a maioria das perguntas", conta.

"As supostas vítimas do Jefferson não o reconhecem. Em juízo, ninguém confirma o reconhecimento", ressalta Cavalcanti.

As medidas cautelares que a princípio tinham sido impostas aos policiais como o afastamento da corporação e a entrega das armas foi revogada e hoje eles estão em patrulhamento, somente com a sanção de não se aproximar das vítimas.

INVESTIGAÇÕES

Embora a chacina tenha acontecido em Londrina, Vitor Dutra, delegado de Ibiporã, é o responsável pelas investigações dos homicídios. Ele explica que se tratou de "uma questão de gestão". "Londrina, na época em que foi designado um delegado para homicídios, estava com a taxa de homicídios muito alta. O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Osmir Neves, decidiu à época colocar [as investigações] para outro delegado, para que o delegado de homicídios pudesse trabalhar exclusivamente nesses homicídios ocorrendo pela cidade." Segundo Dutra, isso culminou em "uma excelente redução de homicídios" em Londrina.

Mesmo com a morosidade das perícias, Dutra argumenta que com alguns laudos concluídos pelo Instituto de Criminalística de Londrina foi possível realizar outras diligências. "Duas delas foram sigilosas, buscas e apreensões relacionadas a policiais militares. Durante a investigação foi percebido que dentro do próprio celular dos investigados tinha uma questão de tortura", diz. O delegado argumenta que tem feito o que pode para dar seguimento às investigações, mas que "grande parte dos atrasos é por conta das perícias".

Alexandre Salomão, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-PR (Ordem dos Advogados do Brasil) ratifica que essa situação de lentidão pericial leva ao pior dos quadros: a suspeita sem comprovação da inocência e as pessoas sem uma resposta sobre a autoria do crime de homicídio.(I.F)

mockup