''É uma atividade que vive com a tensão, com a expectativa frente ao inesperado, com situações delicadas de vive ou morrer'', diz o capitão e psicólogo Márcio de Modesti, chefe do Serviço de Ação Social da Polícia Militar (PM) e responsável pela Clínica de Atendimento Psico-Social aos PMs do Paraná.
De acordo com ele, o estresse atinge principalmente policiais que atuam em atividades operacionais, como bombeiros, pessoal da Rone, quem trabalha em viaturas à noite e também policiais responsáveis pelo atendimento telefônico da Central 190, que precisa gerenciar os pedidos de atendimento. Ele calcula que em 2005 foram atendidos cerca de 9 mil policiais na clínica com problemas de saúde relacionados a estresse.
Entre os vigilantes, a reclamação também é constante. Segundo o presidente do Sindicato dos Vigilantes de Curitiba, João Soares, em geral eles trabalham 12 horas por 36 de folga, o salário varia de R$ 1 mil para a rede bancária a R$ 1,6 mil para carro-forte, mas é comum o vigilante ter dois empregos. ''O estresse resulta em dois fatores: agressividade em casa, que é onde ele vai descarregar, e alcoolismo'', diz.
''O maior estresse é na rede bancária. Tem que reconhecer quem vai entrar, não dá para conversar, aguentar bronca de cliente porque a porta não abriu. Tem cliente que pensa que a porta filtra caráter, mas é só detector de metal'', diz Jefferson Aparecido Paixão, de 32 anos, dez dos quais como vigilante.
O que muita gente não sabe é que a solidão da profissão é também um dos maiores problemas enfrentados. ''Você tem que ficar oocupando tua atenção. Tem que ter um controle mental muito forte com a solidão, ou vai ficar pensando em problemas financeiros, na relação em casa'', conta o vigilante Celso João Schloegel, de 38 anos, há 18 como vigilante. Outro fator de estresse, conta, é a falta de vínculo nos locais de trabalho. ''Como você normalmente é terceirizado, ninguém te trata como um colega de trabalho. Você é sempre um estranho''. (M.G.)

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