O comandante da Polícia Militar de Sergipe, coronel Hélio Silva, determinou ontem a detenção de nove soldados e um cabo acusados de torturar até a morte o estudante Erivaldo Pinheiro dos Santos, 24. As sessões de tortura teriam acontecido na terça-feira passada na periferia de Aracaju (SE). Ontem, a TV Atalaia, emissora afiliada ao SBT, colocou no ar imagens do estudante supostamente torturado. Ele teria sido levado até o estúdio da TV pelos próprios policiais, depois dos supostos espancamentos, para gravar entrevista como um ‘‘perigoso marginal’’.
O cabo Jadilson, que teria comandado os demais policiais militares, disse que o estudante era um ‘‘indivíduo frio, calculista e perigoso’’. Segundo o cabo, Santos estaria com um revólver calibre 32. Nas imagens da TV, Santos aparece fora de si e apenas balbucia algumas palavras. Ele estava sendo acusado de roubar uma carteira de um suposto policial militar identificado como Elmo Campos Oliveira e uma outra do Sesc, em nome de Marcos Bruno dos Santos.
A entrevista concedida ao repórter Douglas Magalhães foi acompanhada pelo cabo Jadilson. Logo depois, o estudante foi encaminhado à delegacia plantonista, não sendo aceito pelo delegado Sérgio Waldemar por causa da condição em que se encontrava.
Os policiais teriam levado, então, o estudante para o Pronto Socorro, onde morreu. Segundo a TV, o cabo Jadilson teria procurado o cinegrafista que gravou a entrevista e pedido para apagar as imagens, pois teria havido engano na prisão. Ele teria informado ainda que Santos já estava em liberdade.
As imagens foram guardadas e exibidas no noticiário de ontem da emissora, para o comando da PM e para o curador do Controle Externo da Atividade Policial, promotor Augusto César Lobão. Lobão disse ter ficado ‘‘extremamente indignado’’ e solicitou as imagens para usar no processo contra os policiais.
Gilson Pinheiro dos Santos, irmão da vítima, disse procurou o estudante em delegacias de polícia e não o encontrou. Somente na quinta-feira, a PM o convocou para reconhecer o corpo que estava no IML. ‘‘A gente quer justiça. Os matadores de meu irmão têm que ser presos’’, disse. O coronel Hélio Silva disse que determinou a abertura de Inquérito Policial Militar.

mockup