Salvador, 14 (AE) - Policiais militares do 8º Batalhão, em Salvador, estão sendo acusados de ter executado na noite de sábado o pintor Aurelino Souza, portador de distúrbio mental. Segundo o pai da vítima, Laurentino, o pintor foi fuzilado, sem qualquer chance de defesa, mesmo depois de já ter sido cercado e dominado pelos policiais.
Laurentino afirmou que os policiais foram chamados por vizinhos para resgatar o filho do pintor, de seis anos, que estaria trancado com o pai há três dias na pequena casa de dois cômodos localizada em uma travessa do bairro periférico da Massaranduba, na Cidade Baixa. Como o pintor já vinha apresentando sintomas de uma nova crise nervosa, Laurentino tentava convencê-lo a entregar a criança e procurar assistência médica, mas não tinha sucesso.
Neste momento, os policiais chegaram e encontraram resistência por parte do pintor. Com apoio dos vizinhos, os policiais agiram com rigor e quebraram a vidraça da porta do casebre, por onde o soldado Reginaldo Bittencourt entrou para libertar a criança. A ação de resgate irritou ainda mais o doente mental, que atingiu Bittencourt com duas facadas, na mão e no braço esquerdo.
Segundo Laurentino, os policiais balearam o pintor, que ficou gravemente ferido. "Entrei para amparar meu filho, mas nem tive tempo porque os policiais mandaram eu sair da frente pra não morrer também", disse. Em seguida, acrescentou Laurentino, um dos soldados deu uma rajada de metralhadora e outro usou um revólver para matar o pintor.
O Comando da Polícia Militar anuncia amanhã se vai abrir sindicância para apurar o caso, mas os policiais do 8º Batalhão estão apoiando os colegas envolvidos. Segundo o sargento José Alves, que estava de plantão hoje, de acordo com o relatório dos oficiais, os policiais alvejaram o pintor para salvar a vida do soldado, que estaria ameaçado pelo doente mental, depois de ter sido golpeado.

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