Rio, 30 (AE) - Um grupo de quatro policiais do Departamento de Narcóticos (Denarc) de São Paulo foi acusado hoje pelo traficante Wilson Weirich de estar envolvido com o tráfico de drogas. Weirich prestou no Rio um depoimento reservado à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara dos Deputados.
Uma outra testemunha, um informante da polícia ouvido na noite de ontem (29), sob o pseudônimo de "Laércio da Cunha", acusara 15 agentes do Departamento de Proteção ao Patrimônio (Depatri) de São Paulo de envolvimento com o narcotráfico, entre eles Antônio Lázaro Constâncio, mais conhecido como "Lazinho".
"A banda podre não é privilégio da Polícia do Rio", afirmou o sub-relator de Campinas, no interior de São Paulo, Pompeu de Mattos (PDT-RGS). De acordo com os depoimentos das duas testemunhas, os policiais paulistas eram informados sobre carregamentos de drogas que saiam do Rio para São Paulo. Cientes da chegada da droga, os policiais faziam uma apreensão fictícia, em que apenas parte da carga era apresentada - o resto era revendido para traficantes locais. "Em alguns casos, eles também extorquiam", contou o deputado Róbson Tuma (PFL-SP), sub-relator de São Paulo.
A CPI do Narcotráfico estará em São Paulo entre 11 e 13 de abril. "O objetivo agora é centrar fogo na polícia", afirmou Mattos.
"Está claro que, para chegar aos traficantes, é preciso investigar a polícia." Em São Paulo, os integrantes da CPI irão ouvir os depoimentos dos 19 policiais acusados de participar do tráfico de drogas, além de empresários não só da capital, mas também de Campinas e Ribeirão Preto.
O informante "Laércio da Cunha" será ouvido novamente para fornecer mais detalhes sobre o esquema de São Paulo.
Os deputados também farão diligências a um depósito onde
de acordo com as denúncias das testemunhas ouvidas, ficaria guardada parte da droga enviada pelo traficante carioca Luiz Fernando da Costa, o "Fernandinho Beira-Mar", para o Estado. Weirich está preso sob a acusação de transportar drogas e armas de "Fernandinho Beira-Mar", de Pontaporã (MS) para o Rio. "As denúncias comprovam a ligação da quadrilha de Beira-Mar com o crime organizado em São Paulo", afirmou Tuma.
Outra pista dessa ligação, segundo o deputado, é o fato de a testemunha ter citado no depoimento os nomes do empresário William Sozza, acusado de ser o chefe do esquema em Campinas, e do advogado Arthur Eugênio Mathias, da mesma cidade. Outro nome citado, o de "Lazinho", também ajuda a estabelecer a conexão. "Ele responde a 42 inquéritos e nunca foi afastado da polícia"
afirmou Tuma.
Entre os policiais citados no depoimento de "Laércio da Cunha", estão: o delegado Marcelo, titular da da 2.ª Delegacia de Roubos de Carga, os agentes Juvandir e Marquinhos, da 63.ª Delegacia de Polícia, além de Mucini, Celso, Juaci, Marcão, Valtinho, Manoel e Lucindo, do Depatri.

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