São Paulo, 08 (AE) - Durante toda a tarde de hoje a região central da Lapa enfrentou a fúria dos camelôs - que tiveram suas barracas retiradas no domingo - em meio a protestos
tiros e confronto. A confusão começou às 14h45, quando cerca de 300 ambulantes se dirigiram para a Rua Guaicurus, na frente da Administração Regional da Lapa. A comissão permanente dos camelôs e o administrador Edson Pena Batista reuniram-se na regional às 15 horas para discutir a situação.
Ansiosos pela resposta, os camelôs começaram a protestar e a Polícia Militar foi obrigada a fechar a rua, piorando o trânsito da região, que já estava intenso em razão do fim de semana prolongado. Revoltado com o fechamento das ruas, um dos camelôs, não identificado, atirou uma pedra no capitão da PM Alexandre Marcondes Terra e vários rojões para o alto, iniciando o confronto.
Bombas de efeito moral foram arremessadas, fazendo com que os camelôs recuassem. Logo após o incidente, enquanto a reunião continuava, um grupo de 40 pessoas dirigiu-se à Rua 12 de Outubro e adjacências, decidido a "quebrar tudo". Os lojistas, assustados, fecharam todas as portas. Cerca de 60 policiais e 350 homens da Guarda Civil Metropolitana tentavam controlar a situação, que piorava a cada momento. A reunião terminou por volta das 17 horas.
O administrador regional propôs que eles trabalhassem em outras ruas da Lapa, até mesmo na Praça Miguel dEl Erba, exceto na Rua 12 de outubro e seis transversais, provisoriamente até a construção de um bolsão, previsto para três meses, na Praça Miguel dEl Erba, a principal da região. Ele promete a legalização com o Termo de Permissão de Uso.
Assembléia - A comissão dirigiu-se após a reunião para a Rua 12 de Outubro para fazer uma assembléia com os ambulantes. "Eles querem jogar a gente debaixo do tapete", gritava Marco Maldonado, membro da comissão. Apresentada a proposta, os camelôs insatisfeitos gritaram palavras de ordem como "Queremos trabalhar" e "Vamos quebrar tudo". Com isso, a GCM e a PM ficaram na frente dos camelôs, evitando que a confusão piorasse.
Revoltados, os camelôs começaram a explodir rojões embaixo da passagem subterrânea de pedestres para a Estação da Lapa. A Tropa de Choque chegou e os PMs dispararam tiros com balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo, obrigando a dispersão dos manifestantes. Houve feridos entre policiais e camelôs, mas o capitão Terra não soube informar o número correto de vítimas. Os ambulantes ameaçam continuar os protestos hoje.

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