Curitiba- A Corregedoria da Polícia Civil prendeu na manhã de ontem, em Curitiba, onze policiais civis acusados de participação numa rede que associava pedofilia e extorsão. Outros três policiais também tiveram mandados de prisão expedidos pela Vara de Inquéritos. Os presos atuavam no 4º, 7º e 12º distritos policiais de Curitiba.
Os nomes dos presos e os detalhes sobre o caso não foram revelados pelo secretário de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, que informou sobre as prisões durante coletiva à tarde. A justificativa é de que o inquérito corre de forma sigilosa, a pedido da Justiça, em função do envolvimento de menores de idade no caso. Entre os presos, estão dois delegados, seis investigadores, um escrivão e dois agentes administrativos.
A rede funcionava a partir de um site na internet, cuja proposta era atrair clientes interessados em marcar encontros com meninas entre 10 e 12 anos de idade. Uma jovem de 21 anos, e que está foragida, seria responsável pela coordenação da rede. Sua irmã também participaria do esquema tentando convencer menores de idade nas portas de escolas de Curitiba a aceitar os encontros com os clientes. Em troca, era oferecida uma quantia em dinheiro.
O encontro acontecia em móteis da cidade ou no próprio apartamento da jovem foragida. Depois que o cliente já estava na companhia de uma menor de idade, policiais entravam no local com câmeras fotográficas e filmadoras e extorquiam o cliente. ''Eles chegavam a dar voz de prisão e às vezes levavam os clientes aos distritos'', disse o secretário. Com as provas nas mãos, os policiais pediam de R$ 5 mil a R$ 30 mil ao cliente para que não houvesse prisão.
De acordo com o secretário, nem todas as menores de idade teriam sofrido abuso sexual, já que a extorsão dos policiais às vezes era feita logo que os clientes se encontravam com as meninas. O secretário se negou a dizer quantas meninas teriam participado da rede e também não quis revelar quem eram os clientes, que também são procurados pela polícia.
A Polícia Civil começou a investigar o caso depois que uma pessoa ligada a um dos clientes denunciou a rede, existente desde o ano passado. As investigações duraram de 20 a 30 dias e culminaram com as prisões ontem. Além dos policiais, uma outra pessoa foi presa, mas não teve o nome revelado. A operação foi batizada de ''Navalha na Carne'', em referência aos presos que integram a Polícia Civil.
Os onze policiais presos são acusados de concussão, formação de quadrilha, exploração sexual comercial infanto-juvenil, corrupção de menores, estupro e atentado violento ao pudor. Além do processo criminal, os policiais responderão por um processo administrativo, que deve resultar na expulsão dos acusados da Polícia Civil. Os outros três policiais que também tiveram mandados de prisão temporária expedidos iriam se entregar à Corregedoria ontem, mas até o fechamento da edição as prisões não ocorreram.

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