Policiais podem ter matado por vingança
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quarta-feira, 08 de julho de 2009
Diego Ribeiro<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Polícia Civil suspeita que dois policiais militares, do 13º Batalhão, podem ter assassinado um comerciante para se vingar de uma tentativa de extorsão malsucedida. A informação foi confirmada pelo delegado operacional da Delegacia de Homicídios, Cassiano Aufiero. O comerciante, Gean Nórdio, 21 anos, foi morto por dois homens encapuzados que dispararam 15 tiros contra ele, na madrugada de domingo, no bairro Portão, enquanto dormia em casa, junto de sua mulher, de 17 anos, e a filha de dois anos.
Pouco mais de uma semana antes do crime, Nórdio teria denunciado ao comando daquele batalhão que dois policiais teriam pedido R$ 2 mil dinheiro para soltarem sua esposa. Aufiero acredita que os cartuchos deflagrados encontrados na cena do crime e marcas de coturno na porta podem ser indícios fortes de que os autores são policiais militares.
De acordo com a denúncia, explicou a polícia, a mulher de Nórdio teria sido detida pelos policiais há duas semanas quando dois adolescentes foram apreendidos com drogas em uma lan house do casal. A moça foi acusada pelos jovens de vender droga no local.
Diante das ameaças, Nórdio conseguiu apenas R$ 1.050 e, quando fez o pagamento, gravou o prefixo da viatura dos policiais que pediam o restante do dinheiro. Em seguida, a vítima denunciou os policiais ao comando do batalhão em que trabalham. Segundo Aufiero, a vítima havia reconhecido os policiais por fotos durante a denúncia. Um conhecido da vítima contou, em depoimento, que Nórdio recebeu uma ligação em que era ameaçado. Ele ouviu que seus dias estariam contados, explicou Aufiero. Além desse amigo, a DH já ouviu a esposa da vítima.
O major Everon Cesar Puchetti, responsável pela Comunicação da PM, disse que foi instaurado Inquérito Policial Militar (IPM) contra os suspeitos logo que a denúncia foi registrada. Sobre a morte do rapaz, Puchetti afirmou que cabe a DH investigar o fato. O PM informou que está trocando informações com o delegado e que está trabalhando com afinco no IPM. Para ele, há ainda a hipótese de que alguém pode ter assassinado o comerciante nesse momento para induzir uma suposta culpa aos PMs.


