Curitiba - Os três policiais paranaenses ligados ao Grupo Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (Tigre) suspeitos de matar o sargento da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, Ariel da Silva, 40 anos, na madrugada de ontem, em Gravataí, cidade da Região Metropolitana de Porto Alegre (RS), estão presos na carceragem da Delegacia de Furtos e Roubos (DFR) de Curitiba, depois de se apresentarem à Corregedoria da Polícia Civil do Paraná. Eles foram detidos após terem o mandado de prisão temporária expedido na tarde de ontem pela Justiça do Rio Grande do Sul.
No pedido, o promotor de Justiça André Luís Dal Molin Flores sustentou que ''pelo histórico da ocorrência policial e gravidade do fato, há sérios indícios de que os policiais civis do Paraná não possuíam autorização para estar na cidade, não apresentaram argumentos convincentes sobre o episódio, e, possivelmente, tenham deturpado a seu favor os acontecimentos.''
O sargento foi atingido por tiros de fuzil por volta da 1h30 de quarta-feira, na Avenida Planaltina, nas proximidades da RS-020. Ele chegou a ser socorrido pelo Samu, mas morreu após chegar ao Hospital Dom João Becker, também em Gravataí. Em depoimento, segundo a Polícia Civil do Paraná, os policiais disseram que o militar pilotava uma moto e os abordou, com uma arma em punho. Ele teria efetuado disparos contra o carro. Logo após, os agentes desceram do carro atirando, matando o policial militar com cinco tiros (quatro no estômago e um no pescoço).
Segundo o delegado Leonel Carivali, da Delegacia Regional Metropolitana, ''Silva estava à paisana e trocou tiros com os policiais paranaenses''. ''As armas e a viatura, que era descaracterizada, foram apreendidas e serão usadas nas investigações. Os agentes acionaram a polícia e solicitaram atendimento para a vítima, que morreu no hospital'', relatou.
Sequestro com morte
Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp), os agentes paranaenses foram ao Rio Grande do Sul para uma operação. As investigações detectaram uma ramificação da quadrilha gaúcha que estaria por trás do sequestro de dois empresários paranaenses: Osmar José Finkler e Lírio Poerjio, ambos de 50 anos. Eles estavam sendo mantidos em cativeiro havia oito dias. São da cidade de Quatro Pontes (Oeste) e tinham ido até Gravataí para comprar um implemento agrícola com preço abaixo do mercado. Ao chegarem ao local, foram surpreendidos pelos bandidos.
Ontem à tarde, durante a ação de libertação dos reféns, Poerjio foi baleado e morreu. Os três sequestradores foram presos. Segundo a polícia gaúcha ainda não é possível precisar quem efetuou os disparos que acertaram o refém.
De acordo com a Sesp, não havia policiais paranaenses envolvidos nesse resgate. A informação é de que os agentes do Paraná passaram o endereço do local que estava sendo investigado, e a polícia gaúcha teria conduzido a ação.
Posições
O delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, Marcus Vinícius Michelotto, lamentou os dois casos, e considerou precipitada a decisão da Justiça do Rio Grande do Sul de expedir a prisão temporária dos três policiais do Paraná.
Já o tenente-coronel Dirceu Lopes, do 17º Batalhão da Brigada Militar, classificou como ''clandestina'' a operação realizada pelos policiais civis do Paraná.

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