São Paulo, 09 (AE) - Três policiais militares das Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicleta (Rocam) estão detidos na Corregedoria da Polícia Militar porque são suspeitos de assassinar um metalúrgico e um mecânico. O crime ocorreu sábado à noite, no Parque Santa Madalena, periferia da zona leste de São Paulo. As vítimas tinham saído numa motocicleta para comprar esfihas em uma lanchonete. Os acusados estavam rondando o bairro atrás dos ladrões que roubaram, um dia antes, a moto de um dos PMs detidos.
"A motocicleta deles era parecida com a usada pelos ladrões que roubaram o policial", disse Abda Nego Prado, de 50 anos. Membro da Assembléia de Deus, Abda é pai do mecânico Thiago Henrique do Prado, de 18 anos, uma das vítimas. No sábado
Thiago trabalhou até as 17h30. Chegou à casa da família às 19 horas. Durante aquela tarde, quatro PMs em um carro da Rocam vasculharam todo o bairro em busca da motocicleta CB-500 do soldado Claudio Sartori. A moto havia sido roubada na noite anterior, por quatro homens, que estavam em duas motos. "Os PMs disseram que, caso a moto não aparecesse, ia ter barulho no bairro", disse o pai.
À noite, três dos quatro policiais retornaram, sem fardas, em duas motos, uma Teneré e uma RD-135. Continuaram abordando os moradores, principalmente, os que estavam em motocicletas. Na Rua Guira Guainumbi, onde morava Thiago, os PMs abordaram um grupo de rapazes que conversava na calçada. Naquele momento, Thiago saiu de casa com o amigo, João Martins Rissi, de 29 anos. Foram comprar esfihas na moto CBX Aero, de Rissi. Pouco depois, apareceram mortos com tiros na cabeça. Thiago foi achado com a carteira de identidade nas mãos. Levaram R$ 45,00 e um relógio do mecânico. "Uma testemunha viu os rapazes caírem da moto e serem baleados pelos ocupantes de duas outros motocicletas, iguais às dos PMs", disse o pai. Apreensões - A Corregedoria da PM ouviu hoje os três suspeitos. Todos negaram o crime. A Teneré e a RD-135 dos PMs foram apreendidas, assim como suas armas particulares e da corporação. A corregedoria fez ainda exames nas mãos dos PMs à procura de vestígios de chumbo e cobre, o que indicaria que eles usaram recentemente armas de fogo. Dois dos detidos foram reconhecidos por testemunhas como sendo os policiais que estavam no bairro.
"Meu irmão era trabalhador, não tinha vícios", disse Maria Martins Ricci de Queiroz. João era casado e pai de três filhos, o mais novo é um menino de 6 meses e o mais velho, uma menina de 4 anos. "A menina está perguntando a toda hora pelo pai", conta a irmã.
Mais de 200 pessoas foram, hoje, ao velório dos rapazes na Assembléia de Deus. "A polícia, que nos devia dar segurança, nos dá insegurança, por isso, peço ao governador que cuide desse caso, pois homens desse tipo não podem estar numa corporação séria como a PM", disse o pai de Thiago.
O delegado Eliton Martineli, do 70.º Distrito Policial, instaurou inquérito sobre o crime. Ele afirmou que vai chamar as testemunhas para depor na delegacia e também ouvirá os policiais suspeitos. Martineli disse não descartar a possibilidade de pedir a prisão temporária dos suspeitos. "Por enquanto, só temos indícios", afirmou. Ouvidor - O ouvidor da Polícia de São Paulo, Benedito Mariano, disse que o caso é gravíssimo e prioridade para órgão. De acordo com ele, já foi aberto um procedimento de apuração do caso na Ouvidoria, por meio de uma denúncia feita pelo Conselho Estadual de Defesa da Pessoa Humana. "Vamos acompanhar de perto".

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