Policiais militares e publicitário serão julgados pela morte de carroceiro em Londrina
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de abril de 2018
Rafael Machado<br>Grupo Folha 
A juíza da 1ª Vara Criminal, Elisabeth Kather, resolveu levar a júri popular os policiais militares Jefferson José de Oliveira, Thiago Morales, João Paulo Roesner e Júlio César da Silva, além do publicitário Fábio Antônio Lucena, por suposto envolvimento na morte do carroceiro Pedro de Melo Domingos, 28 anos, em 12 de março de 2016. O crime ocorreu no final da avenida Joubert de Carvalho, perto do distrito da Warta, na regiçao norte de Londrina. Outro PM supostamente envolvido no caso, o aspirante Danilo Alexandre Mori Azolini, será apreciado pela denúncia de ter alterado o local do homicídio.
PM será julgado por possível alteração na morte de carroceiro
Todos respondem o processo em liberdade. Os agentes chegaram a ser presos em uma operação da Sesp (Secretaria Estadual de Segurança Pública), o Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado) e a Corregedoria da corporação, mas terminaram soltos por habeas corpus conquistado pelo advogado Cláudio Dalledone na 1ª Câmara Criminal do TJ-PR (Tribunal de Justiça do Paraná). Domingos tinha antecedentes criminais. Em 2009, ele foi denunciado por furtar uma caixa de ferramentas de um depósito de materiais de construção na rua Belém, Vila Casoni, área central.
Uma testemunha ouvida em juízo, que também estava na carroça, indicou que os policiais os abordaram e atiraram mesmo com os pedidos da vítima. "Ponderando todas as provas produzidas no desenrolar do processo, denota-se a existência da materialidade delitiva, bem como os indícios de autoria recaindo sobre os réus, sendo o suficiente para pronunciá-los e levá-los a julgamento perante o Tribunal do Júri", diz a juíza Kather.
Para o promotor Ricardo Domingues, a arma de fogo possivelmente usada para matar o carroceiro teria sido aplicada em dois homicídios da chamada "Noite do Terror", entre a noite do dia 29 e madrugada de 30 de janeiro de 2016, quando 12 pessoas foram assassinadas e 14 acabaram feridas. A série de assassinatos transcorreu depois da morte do policial militar Cristiano Bottino, até então lotado na 4ª Companhia Independente. Ainda não há data para julgamento dos cinco PMs e do publicitário.
Em nota, Dalledone infromou que "a defesa dos policiais militares recebe com indignação a decisão que os remeteu a júri popular, mas acredita na justiça do nosso Estado e, tão logo seja intimada da decisão, imediatamente recorrerá ao Tribunal de Justiça. Tenho absoluta segurança que a partir de uma análise técnica e imparcial o Tribunal de Justiça certamente declarará a inocência desses guerreiros de farda".
(atualizado às 10h30)


