Belém, 29 (AE) - Com uma passeata pelas ruas centrais de Belém e o fechamento de delegacias dos bairros mais populosos da cidade, os policiais militares e civis do Pará entraram hoje em greve. Os policiais reivindicam a incorporação total aos salários dos abonos concedidos pelo governo em 1997, por ocasião da última greve.
O governador Almir Gabriel (PSDB) determinou prontidão nos quartéis e ameaça com prisão os militares que aderirem à paralisação.
Os abonos concedidos foram de 150 reais para delegados da Polícia Civil e oficiais da Militar e de 180 reais a soldados
cabos, escrivões e investigadores.
O governo oferece incorporações que vão de 10% a 40% dos abonos. "Se dermos o que eles estão pedindo, o impacto sobre a folha estouraria o limite de 60% em gatos com pessoal estabelecido pela Lei Camata; nós só podemos ter, no máximo, um acréscimo de R$ 3,5 milhões para ficar no limite", resumiu o secretário de Gestão e Planejamento, Sérgio Leão.
A adesão à greve ainda é pequena. Cerca de 300 policiais saíram às ruas com faixas e cartazes. "Muitos que estão parando preferem ficar em casa a ir às ruas protestar contra os baixos salários", justificou o presidente do Sindicato dos Delegados da Polícia Civil do Pará, Justiniano Alves Júnior.
"Nós não vamos recuar; o que o comando da PM quer, com essa prontidão, é manter a tropa nos quartéis para desmobilizar o movimento", afirmou o capitão Luiz Fernando. Ele passou dez dias preso num dos quartéis da capital, acusado de incitar cabos e soldados e de distribuir panfletos favoráveis à greve.
O capitão disse que a ordem do movimento é manter 30% do efetivo de 12.800 homens da PM nas ruas do Estado, "como manda a Constituição". Fernando disse que o governo está pagando "salário de fome" aos militares, que usam armamentos sucateados no combate aos criminosos.
Para o presidente da Associação dos Delegados de Polícia Civil (Adepol), Raimundo Benassuly, a paralisação deve ser "total" nos próximos dias.

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