Rio, 30 (AE) - A grande incidência de pessoas feridas por balas perdidas, muitas vezes durante tiroteio entre policiais e criminosos, levou o governo do Estado a uma providência, que também faz parte da campanha "Rio, Abaixe Essa Arma": oficiais, sargentos e soldados da Polícia Militar vão passar por cursos de reciclagem de tiro. "Queremos eliminar o risco pessoal e social durante o patrulhamento nas ruas", afirmou o comandante geral da PM, coronel Sérgio da Cruz.
Inicialmente os cursos vão se restringir à palestras aos policiais em forma, antes que deixem o batalhão. "O treinamento prático de tiros vai depender da disponibilidade de cada unidade", explicou Cruz. Todo o efetivo da PM, cerca de 29 mil homens, deve passar pela reciclagem.
O treinamento começou com as tropas de elite de cada batalhão, os Grupamentos Especiais de Ações Táticas (Geat), antigos Grupamentos de Polícia de Choque. Há nove semanas os policiais estudam fundamentos de direitos humanos, uso seletivo da força e conduta de patrulhamento, armamento e tiro.
Números - A Secretaria de Segurança Pública não dispõe de estatísticas sobre o número de pessoas feridas por balas perdidas, já que os casos são registrados como tentativas de homícidio. No dia 18 deste mês, um "disparo acidental de procedência desconhecida", matou o menino Tiago da Conceição Marques, de 3 anos, que brincava na porta de casa, no Morro do Salgueiro, zona norte.
Este ano, pelo menos quatro pessoas ficaram feridas por balas perdidas no Rio, entre elas o diretor de Marketing Internacional do The Wall Street Journal, o americano Daniel Cates, de 77 anos. Ele foi alvejado de raspão no joelho, durante uma tentativa de assalto a dois office-boys na Avenida Presidente Vargas, em 28 de janeiro.
Um dos casos mais rumorosos nos últimos tempos foi o da estudante Camila Magalhães Lima, de 12 anos, que ficou tetraplégica ao ser atingida por uma bala perdida no pescoço, na porta da escola, em 3 de setembro de 1998. Dois seguranças da Rua 28 de Setembro, em Vila Isabel, na zona norte, reagiram a um assalto à joalheria. A estudante foi ferida na troca de tiros. Os assaltantes fugiram.
Mas o pânico de ser atingido por uma bala perdida se generalizou mesmo quando um tiroteio entre assaltantes e policiais apavorou banhistas da praia do Leblon, em 30 de janeiro deste ano. Uma troca de tiros ocorreu poucas horas antes da passeata "Paz na Praia, Paz na Cidade", que mobilizou cerca de 500 pessoas.

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