São Paulo, 19 (AE) - A polícia de São Paulo matou 31,3% a mais de janeiro a setembro deste ano em relação ao mesmo período de 1998. Os números foram divulgados pela Ouvidoria da Polícia do Estado. O maior aumento envolveu o número de pessoas mortas por policiais civis - um crescimento de 79,4%. Nos primeiros nove meses, os policiais civis mataram 70 pessoas no Estado (foram 39 no mesmo período em 1998.
Em relação à PM, o crescimento foi de 25,5%. Ao todo, a PM matou 408 pessoas nesses nove meses. Dessas, 260 foram mortas por policiais em serviço e 148 pelos que estavam de folga. No ano passado, haviam ocorrido 325 casos. "Se eficiência se medisse pelo número de pessoas mortas nesse trimestre a criminalidade deveria ter caído um terço, o que não ocorreu", disse o sociólogo Benedito Domingos Mariano, ouvidor da polícia do Estado.
De acordo com ele, os números mostram que o último trimestre foi o que registrou o maior número de violência policial desde 1996. Sobre o aumento de pessoas mortas pela Polícia Civil, o ouvidor disse que esse fenômeno pode estar ligado ao fato de essa polícia estar cada vez mais presente no policiamento ostensivo por meio do Grupo de Operações Especiais (GOE) e o do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra). Isso também traria um reflexo em relação ao aumento de policiais civis mortos em confronto. "O menor preparo para o policiamento ostensivo faz com que morram mais policiais civis que militares."
Segundo Mariano, Garra e GOE são responsáveis por 30% a 40% das denúncias de tortura recebidas pela ouvidoria (2,3% do total). "Se as duas unidades não existissem, as denúncias cairiam nessa proporção."
Contra a violência policial o ouvidor propôs que o governo treine os policiais sobre as circunstâncias em que a força letal pode ser usada, que acompanhe o nível de estresse policial e combata o uso de armas frias e com numeração raspada. Além disso
ele defende a criação de um controle administrativo mais rigoroso sobre o uso de arma de fogo pelos policiais.

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