Curitiba - Três policiais federais e um delegado federal lotados na cidade de Guaíra (Noroeste) foram presos preventivamente ontem, durante a Operação Erupção, suspeitos de facilitar o contrabando de mercadorias do Paraguai em troca de vantagens financeiras. O trio também é suspeito de lavagem de dinheiro.
Os quatro mandados de prisão e 16 de apreensão foram expedidos pela Justiça Federal de Curitiba. As prisões ocorreram em Guaíra. Em Londrina e Francisco Alves (Noroeste) foram cumpridos somente mandados de busca e apreensão, informou a Polícia Federal (PF).
Conforme o superintendente da PF no Paraná, José Alberto de Freitas Iegas, as investigações se iniciaram há um ano. ''Estávamos suspeitando do comportamento dos policiais e também chegaram algumas denúncias de enriquecimento ilícito dos agentes. Com os recursos recebidos de criminosos, os federais ampliaram seu patrimônio pessoal'', destacou.
Os capturados, segundo a PF, têm bastante tempo de serviço - um deles já com tempo de aposentadoria.
A apuração apontou que a lavagem de dinheiro ocorria de diversas maneiras. Parte dos investigadores aplicava no mercado imobiliário com a compra de imóveis na região de Guaíra e na construção de empreendimentos. Outros investiam em franquias no Paraguai para dificultar a identificação da origem dos recursos recebidos. Também existem suspeitas de que mercadorias que deveriam ser apreendidas estavam sendo desviadas. A PF acredita que os intetegrantes da quadrilha teriam movimentado cerca de R$ 3 milhões.
A PF informou que as investigações prosseguem com a análise dos documentos apreendidos para verificar a participação de empresários no esquema. De acordo com Iegas, as investigações apontaram ainda que contrabandistas que fazem parte do bando podem ser de Londrina e Francisco Alves, por isso mandados de busca e apreensão foram cumpridos nestas cidades. A PF já obteve autorização para o bloqueio de bens e valores de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo criminoso.
Os servidores públicos envolvidos responderão a processo administrativo, com afastamento preliminar das funções, podendo acarretar em pena de demissão. Além da lavagem de dinheiro, corrupção e contrabando e descaminho, eles também vão responder pelos crimes de prevaricação, peculato, concussão e abuso de autoridade. Os presos foram levados para a Delegacia da PF em Guaíra e devem ser transferidos para a Superintendência Regional da Polícia Federal no Paraná, em Curitiba.

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