Londrina – Agentes, escrivães e papiloscopistas da Polícia Federal estão mobilizados desde ontem em todas as delegacias espalhadas pelo Paraná, localizadas em Curitiba, Londrina, Maringá, Cascavel, Guaíra, Foz do Iguaçu, Guarapuava, Ponta Grossa e Paranaguá. A categoria cruza os braços por 48 horas reivindicando a reestruturação da carreira com regras e atribuições claras, fim do assédio moral e da ingerência política, aumento no efetivo, recomposição salarial.
De acordo com o Sindicato dos Policiais Federais do Paraná (Sinpef-PR), o atendimento segue normal, entretanto as investigações e diligências estão suspensas durante a mobilização.
Fernando Vicentine, presidente do sindicato, ressalta que para dar conta do volume de trabalho, seria necessário dobrar o efetivo no Paraná, estimado hoje em cerca de 500 policiais. "Há quatro anos tentamos negociar com o Ministério da Justiça e não obtemos resposta. Numa média, de 100 inquéritos instaurados, apenas oito chegam a ser concluídos", reclamou.
"Temos uma fronteira enorme e que é utilizada para o tráfico de drogas e armas, como garantir a segurança com a quantidade atual de policiais?", apontou.
A categoria também critica a falta de reestruturação da carreira. "Em 1996 houve um decreto determinando nível superior para o ingresso na carreira, no entanto os trabalhos dos agentes, papiloscopistas e escrivães não são reconhecidos como nível superior. Com isso não há progressão, diferente do que ocorrem nas agências federais. Por que essa distinção? Somos servidores de segunda categoria?", observou o representante sindical do Sinpef em Londrina, Flávio Henrique Rossi Uliano.
Essa mudança de nível técnico para superior incidiria diretamente no piso salarial da categoria, que passaria de R$ 7,5 mil para R$ 10 mil.
Segundo a Federação Nacional dos Policias Federais (Fenapef), existem hoje 12,4 mil policiais em atividade no País. Diversos Estados já realizaram protestos e ontem, além do Paraná, foram registradas mobilizações no Acre. A reportagem não conseguiu contato com o Ministério da Justiça.

mockup