Londrina - Policiais federais de todo o País iniciaram ontem uma paralisação de três dias em protesto pela falta de reestruturação das carreiras e deficit de pessoal. O movimento é liderado por agentes, escrivães e papiloscopistas. O salário inicial deste grupo é de R$ 7,7 mil e os grevistas pedem aumento para dos recebem pouco mais de R$ 19 mil.
Os policiais prometem entrar em greve por tempo indeterminado caso as reivindicações não sejam atendidas. A falta de pessoal deve ser uma barreira para o governo. O concurso público aberto no primeiro semestre com 600 novas vagas para delegado, escrivão e perito foi suspenso liminarmente pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O motivo seria a falta de vagas para deficientes físicos. O edital retificado ainda não foi publicado.
O movimento defende ainda a saída do atual diretor-geral da corporação, Leandro Daiello Coimbra. Conforme o presidente do Sindicato dos Policiais Federais no Paraná (Sinpef-PR), Fernando Augusto Vicentine, a categoria o critica pela inércia em busca de melhorias para a estrutura física dos agentes. ''Estamos tentando negociar com o Ministério do Planejamento e com o Ministério da Justiça há três anos e nada mudou. Existe falta de pessoal e a carreira não é estruturada. Por isso os policiais criticam o trabalho que até agora foi feito'', disse.
A Delegacia Regional da PF em Londrina, cuja abrangência chega a 89 municípios, possui menos de 70 servidores. Apenas os serviços essenciais são mantidos na unidade. A paralisação pegou muita gente de surpresa. A pedagoga Rúbia Ferreira tentava tirar o passaporte. Ela já tem viagem marcada para dezembro para os Estados Unidos. ''Traz insegurança porque na verdade não sabia (da paralisação) e a gente está dependendo disso (para viajar)'', disse.
''Vim buscar o passaporte e não entregaram. Acredito que eles devem ter seus motivos para a greve, mas alguns atendimentos ficam precários e prejudicam'', lamentou a advogada Letícia Biasi.
Desde ontem policiais federais estão fazendo operações-padrão em portos, aeroportos e em regiões de fronteira. Ontem pela manhã, em Curitiba, na superintendência do órgão no Estado, faixas de protesto foram colocadas na entrada do prédio. Hoje, os policiais fazem uma entrega simbólica de armas. Além disso, todas as investigações em andamento, os registros de porte de arma e a emissão de passaportes foram paralisados.
Conforme o Sinpef-PR, na Ponte Internacional da Amizade (PIA), na divisa entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, todos os carros estavam sendo vistoriados. O mesmo aconteceu na divisa de Guaíra. No Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, as bagagens também tiveram uma inspeção diferenciada. E, no Porto de Paranaguá, os policiais federais não estavam autorizando a entrada de nenhum tripulante no Brasil.
Vicentine destaca que no Paraná, seria necessário aumentar em 70% o efetivo de policiais federais, que hoje é de cerca de 700. Segundo a Federação Nacional dos Policiais (Fenapef) existem no Brasil 6.500 agentes federais, 2 mil escrivães e 700 papiloscopistas.(Colaborou Rubens Chueire Jr./Equipe da Folha)

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